Recebi por e mail este admiravel texto de Mendo Castro Henriques que passo a transcrever:
Feliz Natal
Cada um terá o seu motivo para celebrar o Natal, seja cristão ou não. E também é verdade que esse motivo muitas vezes se reduz a um sentimento de simpatia e se traduz em breves tréguas nos conflitos pessoais e sociais, simbolizadas pela troca de votos felizes e de presentes.
Comprar mais, comer melhor, descansar um pouco é o figurino do Natal mundano. E por isso, a semana após o Natal não será muito diferente da semana anterior. Por isso é corrente ouvir que "Natal deveria ser todos os dias!". E por isso as festas desta quadra são sobretudo um ritual onde cada um projecta as fantasias que entende.
E contudo, todos os livros sagrados da Humanidade falam do homem como atormentado por uma culpa, por uma existência precária que ele não sabe redimir a não ser sacrificando alguém, e fazendo do seu próximo o Bode Expiatório. A origem das violências, dos conflitos, e das guerras passa por aqui.
E contudo, com o Natal, Jesus Cristo veio ao mundo para oferecer-se como vítima sacrificial única e definitiva, encerrando um ciclo histórico que durava desde as origens da humanidade e que era regido essencialmente pela lei do sacrifício.
O que Jesus Cristo fez foi cumprir de uma vez só essa lei do sacrifício, nascendo como a vítima definitiva. Antes as vítimas se somavam: 1 + 1 + 1 + 1. .. Agora a vítima única se multiplica por si mesma: 1 x 1 x 1 x 1!. .. Façam as contas e compreenderão por que o Natal deve ser celebrado.
Esta consciência deve ser reconquistada de geração em geração. A maioria, mesmo quando recebe presentes, esquece que eles apenas simbolizam o ganho muito maior obtido há 2008 anos.
Esse ganho pode ser explicado em poucas palavras, segundo a filosofia. Todos podemos viver atormentados pela culpa que produz medo, ódio, inveja, ciúme, e busca obsessiva de aprovação. Esses sentimentos tornam-nos vulneráveis às acusações e insinuações com um poder incalculável sobre nós. Em busca de protecção contra esse poder, submetemo-nos aos malvados, acreditando que quem nos fere também nos pode ajudar. E assim nos convertemos em bode expiatório.
Cristo adverte-nos que esse sacrifício é inútil. Não existe no mundo um poder habilitado a exigir vítimas. Deus só exigiu uma, e Ele mesmo a forneceu. Quem depois disso se sinta culpado, deve recordar-se do nascimento de Cristo e alegrar-se. Ele não foi um cobrador de dívidas mas um salvador. Nada pede! Apenas oferece. E em troca aceita qualquer coisa pois é manso e humilde de coração.
Se sabendo disso, continuamos vulneráveis à iniquidade; se ainda sentimos perante os malvados e os corruptos o temor reverencial e tentamos aplacá-los com mostras de submissão para que eles não nos castiguem, é porque ainda não acreditamos no Natal.
O Natal é simples: pede-nos para sermos bons e não temer os políticos injustos, os ideólogos perversos, os juízes desonestos, os investidores corruptos. Nenhum deles tem autoridade sobre nós. Não baixemos a cabeça perante eles! Não consintamos que as nossas fraquezas sejam exploradas pela malícia do mundo.
Jesus Cristo já pagou a nossa dívida.
Feliz Natal!
Mendo Henriques, 2008
O mínimo que posso dizer é que estas são as palavras que têm faltado àquele bispo católico alemão que tem andado mais ocupado a esclarecer que o Pai Natal americano inventado pela Coca-Cola não é o verdadeiro S. Nicolau. É pouco importante, a preocupação daquele bispo católico, porque S. Nicolau também não nasceu há 2008 anos.
ReplyDeleteAdmirável mesmo, João.
ReplyDeleteAs coisas realmente importantes são sempre muito simples. Tão simples que nos assustam, pela simples razão de que nos comprometem. É tão mais fácil complicar, complicar sempre...
Este é um bom texto a ler na noite de consoada o que certamente farei quando quando me sentar à mesa hoje à noite com a família alargada.
ReplyDeleteMuito obrigado
Gonçalo