Wednesday, December 3, 2008

A escola pública


Em Portugal o ensino público é determinante na formação da população portuguesa: a “educação” é ministrada  em mais de 10.000 escolas para um milhão trezentos e sessenta mil alunos por cerca 150.000 professores pagos por todos nós. Os resultados são por todos conhecidos.

Para lá de toda a inflamação e aproveitamento político que as negociações das reformas neste sector têm gerado, como português e encarregado de educação de quatro crianças, preocupa-me principalmente a desmesurada força desta corporação, basicamente ingovernável, logo inimputável.

De resto, a premissa é só uma e válida para todos os sectores de actividade laboral: a recompensa do mérito e a coibição da mediocridade alem de constituírem um simples acto de justiça são a mais eficaz promoção da excelência, valor que nesta república é apenas instrumento de mera retórica.

 

3 comments:

  1. Caro João Távora,

    O engraçado é que os professores nunca foram corporativos - ao contrário, por exemplo, dos juízes ou dos médicos. A "classe" dos professores sempre foi um saco de gatos, em que os sindicatos marcavam greves "parciais" para marcar pontos com a concorrência, em que se assinavam acordos "às pinguinhas", em que as greves tinham adesões de menos de 30%.

    A grande conquista desta ministra foi, de facto, unir a classe - contra ela.

    Independentemente disso, o problema da educação não passa primeiro ou exclusivamente (como se quer dar a entender) pelos professores. Passa antes pela política que vem sido seguido há décadas na 5º de Outubro, dominada pelos teóricos da educação (ou do eduquês, como definiu muito bem o Nuno Crato), que previlegia as estatísticas, as aprovações, em oposição à efectiva transmissão de saber.

    Enquanto não for reestabelecido - como escreveu e bem - uma cultura REAL de mérito (o que implica o demérito, ou seja, as reprovações), de esforço, de trabalho e de disciplina, a coisa não vai sair da cepa torta e temo que só se afunde mais.

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  2. Caro Carlos Duarte: Concedo que ministra pode ter sido canhestra. Mas já cá ando há alguns anos para perceber que o problema ultrapassa a qualidade de qualquer ministro. Não acredito que uma classe politicamente tão poderosa se deixe algum dia "governar" que não seja pelos seus interesses (ou dos sindicatos - de matriz marxista). Entretanto, a Educação (e o meu país) fica uma vez mais adiada.

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  3. Caro João Távora,

    Não percebeu. O problema está a ser posto ao contrário. O entrave principal à educação não são os professores, é a política educativa (e não estou a falar de progressões, avaliações ou coisas tais). É o culto da estatística e do facilitismo.

    Estarei na primeira linha da defesa de uma avaliação rigorosa e efectiva dos professores DEPOIS de ser exigido aos alunos trabalho e disciplina. Por parte do ministério. E se tiverem que reprovar 80% dos alunos, que reprovem. No ano seguinte serão concerteza menos.

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