Vulgarizados no nosso quotidiano, alguns artifícios tecnológicos empobrecem e alienam os nossos preciosos sentidos. Fascinantes tempos modernos estes que nos oferecem favas e uvas durante todo o ano, temperatura normalizada e uma omnipresente música de fundo.
É assim que no escritório nos arriscamos a passar literalmente ao lado deste Verão algo atípico, às vezes a tiritar com o obstinado ar condicionado, sempre desagradavelmente ressequido. Não satisfeitos, alguns colegas ainda tapam as orelhas com os fones a bombar os ritmos da moda, em estéreo e com “bass reflex”.
Eu por mim, que não tenho um espírito espartano, recuso-me a dar demasiada importância às contingências meteorológicas: tirando as condições extremas, convivo em paz com o clima. Depois, gosto demasiado de música para enfiá-la o dia todo pelos ouvidos como se duma transfusão de soro se tratasse.
João, ainda ontem estive a recordar o tempo - de que tenho uma remotíssima lembrança – das entregas domiciliárias do leite, ainda em vasilhas metálicas, e das mulheres que vendiam e apregoavam na rua os figos e os morangos. De um tempo em que não havia congelados (penso eu) e as coisas chegavam ao consumidor pelas mãos do produtor. Confesso-me em geral satisfeita com as comodidades do presente e particularmente grata ao meu frigorífico. Mas as coisas perderam, indiscutivelmente, muita pureza e genuinidade… e, pior do que tudo, sabor!
ReplyDeletegostei
ReplyDeletejoão costa
Nem mais, João.
ReplyDeleteSem querer parecer saudosista (a tecnologia facilita-nos muito a vida, e nem sequer estaríamos aqui, sem ela...) há coisas que também me irritam. Como, por exemplo, esta moda de ser "ver" música na televisão. Para mim a música não precisa de suporte visual para nada, vale por si própria e é compativel com muitas outras actividades... coisa que não acontece com os clips televisivos, que exigem atenção exclusiva.
Essa imagem da transfusão de soro é óptima, é isso mesmo!
Concordo consigo Ana. Mais, essa coisa do 5.1 aplicado à musica tb. é algo perfeitamente disparatado.
ReplyDeleteLuísa : o progresso só é bom quando nos oferece qualidade de vida, é mau quando nos retira ou ilude essa qualidade. :-)
ReplyDeleteObrigado, caro homónimo .
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