Há muitos anos a lidar com computadores, essencialmente para uso do Office e da Net, montei em casa uma pequena rede de três PCs e os imprescindíveis periféricos. Acontece que minha mulher gere uma pequena empresa de traduções Web-based e os miúdos mais velhos, por mérito, já têm o seu aperelho. Quer isto dizer que conheço na pele o exigente esforço de trabalho e aprendizagem para manter tudo em bom funcionamento sem gastar muito dinheiro. Para mais, é um facto que os jovens normalmente tendem a uma utilização perigosa das máquinas, pois trocam entre si muita tralha, instalam jogos e aplicações nem sempre "saudáveis", mesmo com o "controlo parental" activado. Acontece também que as dezenas de programas e aplicações que progressivamente se instalam num PC, a prazo trazem instabilidade e conflitos ao sistema operativo, nem sempre de simples resolução. Por experiência própria discordo do mito cultivado por muitos adultos (certamente ineptos tecnológicos) de que “os miúdos hoje em dia nascem a saber mexer naquela cangalhada, e que neles é inata a habilidade para com as tecnologias” (penso que se referem a comandos de TV, telemóveis e a jogos electrónicos...). É para mim claro que qualquer miúdo aprende depressa a brincar, mas poucos serão os que se dispõem a aprender ou investigar a resolução dos problemas informáticos por eles próprios causados – esses trabalhos muitas vezes de simples resolução sobram para os pais ou para dispendiosos técnicos. Também sei bem como as crianças estão pouco motivadas para utilizar as ferramentas de trabalho que um computador oferece, cingindo-se a sua utilização ao entretenimento e para, pela Internet, copiarem integralmente os conteúdos dos trabalhos “de grupo” da escola.
Wednesday, September 24, 2008
Magalhães, a cabala e o delírio
Estas são as razões pelas quais torço o nariz a este folclore da distribuição massiva de computadores pelas escolas. Pergunto aos meus botões por onde andarão os Magalhães e quejandos daqui a um ano, após as primeiras dificuldades ou avarias. E depois, quantos pais não serão tentados a vender na feira da ladra os inúteis aparelhos para pagamento da factura da luz ou da dolorosa conta da mercearia. As criancinhas, essas continuarão a crescer sem exercitarem a vontade, sem ler um livro ou conhecer o Mundo.
Título roubado de um livro do meu pai "Colombo a Cabala e o Delírio".
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O que de todo é de espantar é que se ache que os pais, por esse país fora, incluindo bairros problemáticos e terras onde trabalham (os que trabalham) em fábricas de sapatos, sejam capazes de se meterem nessas coisas do «controlo parental» e quejandos, eles, uns info-excluídos.
ReplyDeleteSe não deve ser o estado, também não serão manifestamente, muitos pais.
poucos serão os que se dispõe a aprender
ReplyDeleteO Magalhães é muito bom para ber as gatasmarabilhosas.
ReplyDeleteMuito bem escrito.
ReplyDeleteE a realidade é essa, mais aquela do comentador anónimo...
Infelizmente!
Na mouche!!!
ReplyDeleteMeu Caro João,
ReplyDeleteadoro esse livro do Teu Pai.
Quanto ao problema, é um pouco como as revistas, conduzirá uns a hábitos de leitura potenciadores de aplicação em textos melhores, enquanto que levará outros ao embrutecimento mais repugnante. Uma espécie de Selecção Intelectual, num outro Evolucionismo, o didáctico.
Abraço
Revolta-te cidadão! Vota em branco nas próximas eleições!
ReplyDeleteJoão Távora:
ReplyDeleteNão resisto a transcrever, aqui, um comentário que fiz há mais de 12 horas, no blog Arrastão:
«Os pais, aqueles que já não têm tempo para acompanhar o ritmo dos cadernos da escola, semelhantes àqueles que tiveram, como poderão acompanhar os filhos a navegar, no Magalhães, pelo mundo fora?
E o novo código do trabalho vai melhorar o panorama? Claro que não.
Escrito isto, sou contra o Magalhães? Claro que não. Mas acredito no controlo parental, tal como foi exposto na TV? Claro que não.
Acredito que a escola esteja preparada para ensinar a tirar, desta ferramenta, aquilo que é importante para a formação dos alunos, nas várias disciplinas? Claro que não. Acredito que a escolas estejam preparadas para tirar dúvidas aos encarregados de educação, sobre a maneira de acompanhar, minimamente, os alunos mais novos? Claro que não.
Mas, então, não seria preferível começar o “edifício” pelos alicerces? Claro que sim.
Mas, nesse caso, haveria tempo para distribuir o Magalhães, antes das eleições? Claro que não.
Alguns, que neste momento estão a ler o comentário, estarão a pensar: - Lá está ele a insinuar que isto está relacionado com eleições. Se não está, pergunto eu, porque é que andam tantos ministros a distribuir “Magalhães”, de escola em escola, com a televisão atrás?
Mais uma incongruência da politiquice caseira nacional, a querer votos com pirotecnia cultural. É triste, porque custa dinheiro a todos nós e não se traduz em melhorias para o futuro.
ReplyDeleteBem visto, João.