Ser nobre é ser-se grato; duas qualidades que estão fora de moda na nossa cultura cínica e materialista. No seu lugar fomenta-se o ressentimento e a depressão, o mais extremo estágio da auto-suficiência.
Mas como seres sociais e criaturas de Deus que somos, só com gratidão nos é possível viver plenamente. Gratos pelas pequenas e grandes coisas que nos acontecem e que em tão pouco verdadeiramente dependeram de nós: um amigo que nos telefona, uma gracinha duma criança, uma árvore cheia de pardais ao fim duma tarde de Verão. Gratos por uma noite bem dormida, o ordenado ao fim do mês, ou por alguma paz que há tantos anos desfrutamos neste recanto do mundo. Gratos para com os nossos amigos, familiares ou vizinhos com quem somos comunidade e somos gente. Finalmente, a gratidão de nada serve se não for afirmada, demonstrada, soletrada... contra o orgulho que sempre nos ameaça apoucar.
A gratidão é a mais importante qualidade da nobreza, qualidade a que eu aspiro e pela qual todo o Homem deveria ansiar.
Ao ler o seu post recordei-me das declarações de Francis Obikwelu nestas Olimpíadas, desculpando-se e agradecendo aos portugueses o apoio e a oportunidade.
ReplyDeleteEle foi grato, e mostrou-se sinceramente agredecido a Portugal.
Demonstrou nobreza de carácter, que é, afinal, a única que há.
A gratidão é das qualidades que mais prezo.
ReplyDeletejá lá dizia Salazar: devemos contentar-nos com poucochinho.
ReplyDeleteChegado de férias,agradeço à blogosfera o facto de podermos partilhar sentimentos uns com os outros,para além das nossas opiniões sobre o que nos rodeia.
ReplyDeleteEu também agradeço as fantásticas férias que tive!
Pedro Oliveira
Eu, por exemplo, estou muito grato à Vanessa Fernandes. Épá, fogo! Fogo, pá.
ReplyDeleteMuito bem. E onde cabe a solidariedade com os mais desfavorecidos, aqueles que nem sequer podem aspirar a esses momentos de alma? Isto, claro está «como seres sociais e criaturas de Deus».
ReplyDeleteA sincera gratidão pressupõe generosidade; suspeito até que a melhor forma de agradecimento é a dádiva. De resto caro Manuel Leão, não gosto da palavra “solidariedade” versão abstracta da caridade evangélica, que implica relação.
ReplyDeleteA gratidão é tão mais nobre, João, quanto pressupõe, por parte de quem a exprime, a assunção da uma situação de favor e de «inferioridade», sempre muito difíceis de aceitar livremente. Lembra-me o ditado: «Faz bem ao vilão, morder-te-á a mão; castiga o vilão, beijar-te-á a mão».
ReplyDeleteP.S.: Claro que aprecio as declarações de Obikwelu. Mas não compreendo – nem aplaudo – a sua desistência dos 200 metros.
Não sei porquê, João Távora. Solidariedade é responsabilidade mútua. Não apoucando a caridade, que tem o seu lugar próprio, a solidariedade é uma exigência. Cria inclusivamente obrigações, previstas na lei civil, independentemente da vontade. Caridade e solidariedade não são conceitos opostos. São realidades diferentes que podem coexistir.
ReplyDelete"Só agradeço o que peço, não o que mereço."
ReplyDeletePenso que é de Vasco de Lima Couto e concordo com as palavras dele. Li isto há muitos anos e nunca mais esqueci.