Francisco José Viegas fala-nos aqui da sua reconversão à caligrafia, ao prazer da caneta e das folhas de papel. Eu confesso que sofro alguma inveja, pois não sei se por comodismo ou displicência, cada vez dou menos uso à minha inseparável caneta Parker. Acontece que nas raras vezes que não utilizo o fatal “portátil” e me alongo n’algumas notas no papel, horrorizo-me com a degradação da minha caligrafia: com a falta de prática, está visivelmente hesitante e desconexa, lembrando-me a dos velhos, que se deteriora por provável lassidão ou mero desprendimento.
Se quanto ao talento estamos conversados, no caso da caligrafia até já pensei fazer exercícios num caderno de linhas, assim uma espécie de programa de reabilitação. Para ver se o teclado não me surripiou de vez algum precioso traço da minha personalidade... ou só para preservar um bocado do meu amor próprio.
João Villalobos:
ReplyDeleteIsso passa. Custa admitir, mas passa!
A caligrafia..., mais uma disciplina (digamos) a taxar-se como 'retrógrada'.
ReplyDeleteVerdade é que os tempos impõem novas modas (recursos), mas resistir é um exercício tão gracioso como honorável.
O que nos sucede com a forma de escrever é apenas um alerta para que contrariemos o esquecimento.
Do verdadeiro prazer da escrita. Do desenharmos as ideias, coloridamente ou com sobriedade.
Com personalidade, sobretudo.
Se não..., que farão os grafologistas, dentro em breve? :-)
Mais: que será da criança dentro de nós?
Essa, a criança, também se rendeu ao computador. Por outras razões, mas rendeu-se.
ReplyDeleteDe qualquer modo, é verdade que existe outra magia na escrita à mão. Faltam, todavia, muitas outras coisas!
Uma boa caligrafia, João, não acompanha a velocidade do pensamento. Razão por que descamba, geralmente, num apressado e indecifrável «cuneiforme». O teclado tem, pelo menos, a vantagem de assegurar a legibilidade (formal). E, a mim, conseguiu apagar o calo que tinha no médio da mão direita. :-)
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ReplyDeleteeu penso que há uma ligação mais directa da caneta ao pensamento.Muito embora com o hábito o teclado passe a fazer parte do mesmo vinculo.
Pessoa dizia mais ou menos isto "que teclar é falar, escrever, só com a caneta "
É lisonjeira a sua confusão, caro Manuel
ReplyDeleteA caligrafia oferece uma experiência sensorial importante, cara Margarida. Obrigado pela sua visita!
ReplyDeleteCaro Carlos: Aceitamos a simpática oferta do Sorumbático, vamos desde já pensar num passatempo (com o vosso patrocínio, claro!). Contactá-lo-ei por e mail para combinarmos a entrega do livro.
ReplyDeleteAbraço
Essa perda de velocidade não será da falta de prática, Luísa? E depois, há calos que são troféus!
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