Wednesday, August 20, 2008

As coisas são o que são


 


O país, a banhos entre churrascos e carreirinhas na praia, está indignado com falta de resultados da comitiva olímpica nacional nos jogos de Pequim. Os nossos frustrados atletas, a maior parte deles devotos carolas que investiram as suas poupanças para a jornada das suas vidas, desdobram-se em patéticos lamentos, justificações e amuos. O espectáculo é deprimente, amplificado pela canícula estival, pela falta de futebol e de contratações do Benfica nos últimos três dias.


De resto não percebo como é que se pode exigir a um país onde a educação para o desporto é paupérrima e que não possui uma estratégia de longo prazo para nada, glórias desportivas semelhantes às dos povos mais desenvolvidos. Neste estado de coisas, tal sucesso quando acontece, deveria ser sempre interpretado apenas como uma feliz coincidência.

Do suposto progresso, contentemo-nos com os assaltos televisionados em directo, reféns, roubos de carrinhas celulares e extorsões de automóveis pronunciadas em inglês, coisa que dá um irresistível toque de modernidade.

8 comments:

  1. E depois ninguém fala verdade.

    O ainda presidente do comité olímpico falou de um objectivo de 3 barra 4 medalhas, no telejornal da RTP viu-se um documento onde o número era 5 medalhas e o sr Laurentino Dias veio afirmar que não havia nem podia haver nenhum objectivo de contabilização de medalhas.

    É demais.

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  2. Caro João, o que é verdadeiramente indignante não são somente os maus resultados, mas sobre tudo a displicência com que são encarados!

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  3. Oliveira da FigueiraAugust 20, 2008 at 3:34 AM

    Já temos também o homejacking!

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  4. Estamos sempre à espera de outro milagre de Fátima ou de um D. Sebastião.
    País da pouca coisa. é o que somos!
    Pensa-se que só porque se aumentou o investimento aos nossos atletas olímpicos, em relação a Atenas, que os resultados são imediatos.
    Toma lá dois milhões na sexta-feira e saca de lá uma medalhita no sábado.
    Sem dúvida, que houve desculpas vergonhosas e atletas que não se comportaram com dignidade, nem com eles próprios, nem com respeito à sua modalidade.
    Mas e os apoios a longo é médio prazo ao desporto. Sim ao desporto! É que desporto não é só futebol. Parece mas não é.
    Muito sinceramente, tivemos os resultados equivalentes ao país que temos ou pior ainda, se calhar ao país que merecemos.

    É típico nosso criticar, ofender, opinar, gozar, alvitrar sobre tudo, mas se calhar antes dos jogos só se sabia o nome de 4 ou 5 atletas.

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  5. Quando a Vanessa ganhou ganhamos todos, quando os outros perderam ingloriamente criticamos e, quando os outros perderam porque simplesmente perderam, falamos de falta de honra, falta de profissionalismo e de brio. Os portugueses criam ilusões sobre o desempenho dos outros. Criam-se sonhos, expectativas. Precisamos urgentemente de heróis, de injecções fortificadas de moral. Precisamos que nos façam sonhar, vangloriar e esquecer desta vida cheia de crises.

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  6. Quero lá saber!! Um País de "desportistas" a revelarem agora a sua "sabedoria" de "críticos"!!
    Daqui a algum tempo,vamos recordar os atletas que realmente o mereceram e dos outros,dos que não tiveram a humildade de ao menos calar as baboseiras,pois que a família os acarinhe. Falta de paciência!!!

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  7. Acho que não é bem isso.

    O que originou toda a bagunça foram antes de mais as inacreditáveis desculpas de alguns turistas que lá foram armados em «nossos representantes».

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  8. Perder ou ganhar é desporto.

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