Tuesday, July 8, 2008

A bomba relógio


 


Conheço pouco mais do que os próprios factos: existem milhares de prédios devolutos e degradados em Lisboa a aguardar por uma política eficaz que reanime o mercado e salve o centro da cidade do destroço em que se tornou. O valioso património histórico e arquitectónico está nas mãos de senhorios arruinados, ambiciosos empresários e do estado português.

Conheço quem tenha batalhado teimosamente durante longos anos com intenção de recuperar para si um pequeno imóvel de habitação algures na Lisboa antiga. Talvez por ingénua honestidade (?) o processo se tenha arrastado sem que tenham cedido às pressões da burocracia onde me garantem houve pedidos insinuados de “luvas” como factor decisivo para a celeridade da tramitação dos papéis e projectos.


Muito se prometeu, muito se escreveu e tudo já se disse sobre este deprimente assunto. Fruto de uma ausência de estratégia, Lisboa explodiu para a periferia deixando um buraco negro ao centro, fenómeno que, em conjunto com a comprovada estagnação demográfica, não augura boas perspectivas para o mercado imobiliário. Assim sendo, parece-me que já chega de debates e comissões, estudos e pareceres, é tempo de arriscar e agir: a viabilização da cidade não requer uma reforma, requer uma revolução, um “plano Marshall”. Espero que António Costa e toda a edilidade reconheçam que é a sua própria justificação que está em jogo, que o cargo lhes poderá arder nas mãos, quando um dia destes o centro da cidade, arruinado e deserto, começar a ruir como um castelo de cartas. Já faltou mais.

 

5 comments:

  1. Neste assunto fico sempre com a impressão de que não existe verdadeiramente um Mercado imobiliário. Apenas existe especulação imobiliária.
    Alguns, que não precisam de todo de vender, ficam sentados em cima das suas propriedades, ciclo económico após ciclo económico, à espera do negócio mais lucrativo possível. É açambarcamento urbanístico, é o que é...

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  2. Sr. João Távora:

    Dizem que a mais eficaz é esta. Depois do incêndio vem aí um hotel e pronto!

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  3. Fiem-se no Zé, fiem-se!

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  4. Caro I. Rodrigues: essa é uma parte do problema. O caldo que nos traz a este ponto é muito, mas muito mais complexo. abraço,

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  5. Se o hotel for viável, não vejo por que não – cria empregos e gera riqueza, mas concordo que a cidade não sobrevive só com comércio e serviços. Aí é que a coisa se complica.

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