Bilhete de Identidade
Quando recebi o convite do Pedro para participar com um texto aqui no Corta-fitas, fiquei a pensar com os meus botões sobre o que escrever e que interessasse à plateia urbana que frequenta esta casa.
Eu, um tipo da província – já lhe chamaram Alentejo profundo e mais recentemente deserto – que isco poderia lançar para atrair os habituais e mais alguns leitores?
Colocou-se-me logo uma questão: se faço uma coisa muito bonitinha, vou fazer crescer as audiências do Corta e, assim, dar mais visibilidade à concorrência.
Sim, o que é que pensam? Isto de andar a escrever em blogs é, para além do que se possa pensar na Câmara Municipal de Santarém, uma luta desenfreada na conquista de cliks e page views. Sem uma Entidade que regule o que por aqui se passa – há entidades que não regulam bem, mas isso fica para a resposta ao próximo convite do Pedro (se for a Cristina FA também não me importo), sem definição exacta do prime time blogosférico, isto de escrever em blogs, dizia eu, é uma verdadeira selva e uma grande chatice, para além dos riscos que acarreta uma exposição assim descontrolada.
A propósito de riscos – e isto é um pequeno parêntesis – sabem que há uns tempos o meu carro foi por várias vezes atacado por vândalos que lhe deixaram marcas por todo o lado? Pois, é o que dá andar a escrever coisas em blogs e ainda por cima daquelas coisas que irritam os directores das nossas freguesias,
Mas adiante.
Retomando o primeiro parágrafo, a dúvida principal que se me colocou foi: escrevo em português, alentejano ou em alemão? Vou arriscar-me na nova ortografia ou deixo-me estar como estou?
A parte de escrever em alemão até me agradou. Ninguém – ou poucos – iria entender do que se falava, linkava o texto na comunidade fotográfica a que pertenço mas, mais uma vez, cá estava eu dar milho à concorrência. Não, isso é que não, apesar de poder depois pegar no texto (auf deutsch!) e levá-lo ao meu chefe dizendo-lhe que havia suplantado os objectivos, pelo que a classificação do desempenho profissional deveria reflectir-se num pequeno suplemento monetário, que a vida não está fácil e a gasolina está cara.
Às voltas com o tema para esta crónica, também pensei em falar sobre a minha aldeia, dos fregueses que ainda cá sobrevivem, do aborrecido que se tornou viver longe das filas da 2ª circular ou das que alimentam a auto-estrada para o Algarve no primeiro de Agosto, também me passou pela cabeça debitar aqui sobre a diferença entre açorda e migas, entre paio e chouriço ou, calcule-se, sobre os prodígios da hortelã-da-ribeira, que muitos confundem com poejos, ervas que ainda não foram alvo das entidades reguladoras ou das autoridades que pugnam pela nossa segurança alimentar. São sabores e aromas que poderão experimentar, se pagarem, numa bela almoçarada, regada com néctares alentejanos e onde, espero, haja os sons do meu Alentejo.
E assim, aos trambolhões no pensamento, decidi-me por escrever sobre o tudo e o nada, que é uma prática muito em voga nas terras do interior e até mesmo nos montes onde a Internet ainda é só uma ideia muito simplex.
Aqui fica a crónica possível, onde não falei de sexo nem do Cristiano Ronaldo, coisas que, como todos sabemos, trazem muitas visitas aos nossos blogs.
João Espinho (do blogue Praça da República)
Caro João, obrigado pela visita. Abraço.
ReplyDelete@Pedro - eu é que agradeço o convite. Uma honra!
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