Acontece com as pessoas, acontece com as famílias, acontece com os povos. O excesso de história é causa de entropias fatais, de decadência, de extinção. Agarrados a velhos mitos e traumas, cultivam desavenças e incompatibilidades pueris. Qual amargo solteirão que não se liberta de vazios rituais e trôpegas manias, é atraído para o abismo da estéril solidão. Sem futuro nem esperança, mistificam um passado glorioso, e esperam um improvável messias, uma miraculosa lotaria que os resgate da ameaçadora decadência.
Cheios de história, feitos e conquistas ancestrais, as pessoas, as famílias ou todo um povo, almejam direitos e honrarias vitalícias. Com excesso de história não se conformam com os ingratos deveres rotineiros, repugnam-lhes as pequenas maçadas e as mais básicas práticas de subsistência. Alienados, impotentes para com a realidade, assim se esvai toda a motivação e a auto-estima, o gosto pela vida, enfim. Isto acontece com os povos, com as famílias e até com as pessoas.
"Sem futuro nem esperança, mistificam um passado glorioso, e esperam um improvável Messias, uma miraculosa lotaria que os resgate da ameaçadora decadência"
ReplyDeleteEntão porque postas aquela porcaria dos sermões de domingo?
Absolutamente dacordo, JT. E, já agora, q bela prosa! :)
ReplyDeleteTambém concordo com o comentário anterior. Mas não com a sua (curta e pouco educada) prosa...
De vez em quando lá aparece um imbecil a espumar ódio aqui. Também com um nome daqueles, Bobagem, de que se estaria à espera?
ReplyDeleteSr. Bobagem (ou será Senhora):
ReplyDeleteOs posts costumam ser passagens dos Evangelhos ou epístolas. Sermões, são outra coisa.
Depois, digo-lhe, que nada fere mais do desprezar a convicção das pessoas, sejam elas religiosas, políticas ou estéticas. Podemos discordar, mas com argumentos. Nunca com agressividade.
Eu estou muitas vezes em desacordo com João Távora, mas só lhe posso elogiar a coragem de dar testemunho da sua fé. Pode não ser tudo, mas já é alguma coisa.
Desculpem. Havia uma frase incorrecta no meu comentário e decidi repeti-lo.
ReplyDeleteSr. Bobagem (ou será Senhora):
Os posts costumam ser passagens dos Evangelhos ou epístolas. Sermões, são outra coisa.
Depois, digo-lhe, que nada fere mais do desprezar as convicções, sejam elas religiosas, políticas ou estéticas. Podemos discordar, mas com argumentos. Nunca com agressividade.
Eu estou muitas vezes em desacordo com João Távora, mas só lhe posso elogiar a coragem de dar testemunho da sua fé. Pode não ser tudo, mas já é alguma coisa.
Agradeço os V. comentários, Frederico David e Manuel.
ReplyDeleteDe resto, como nos prova história da Europa e o testemunho de muitos dos seus arquitectos, sejam eles estadistas filósofos ou artistas, o cristianismo não é mensagem de decadência, é mensagem de civilização.
Não carece de agradecimento.
ReplyDeleteQuanto ao resto, só falta a esses "arquitectos" passar da mensagem aos actos, ou seja à prática (*). Todos têm o direito de ter uma vida digna, aqui e agora.
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(*) É por isso que, antigamente, a homilia era popularmente designada por "prática". Por ser nessa altura que os sacerdotes traduzem para uma linguagem acessível, as passagens da Bíblia, adaptadas aos aspectos da vida concreta, de acordo com o calendário litúrgico ou com acontecimentos relevantes.