O futuro e o erro
Porque será que tanta gente se sente amedrontada com o novo, com o desconhecido, com a incerteza das probabilidades? Porque persiste tanta gente nas certezas arcaicas e ultrapassadas só por medo de que a futura realidade lhes fuja por entre os dedos (como se não fugisse já!), pelo conforto da sensação de que se controla o que nos rodeia? Vergamo-nos tantas vezes sob o peso dum fardo que ainda não carregámos, que quase o obrigamos a tornar-se real. O futuro não pode constituir uma ameaça maior que o passado. E faz-se disso: de incertezas, de um sem número de possibilidades de erro, de críticas, de insucessos, mas felizmente, também, e não há outro caminho, de conquistas e vitórias.
Pior do que qualquer desaire é deixarmo-nos definhar na ilusória segurança do conhecido e dos danos calculados. Não pretendo com isto dizer que o risco não deva ser avaliado e ponderado, mas, apenas, que há uma boa dose de imprevisto em grande parte das decisões importantes que tomamos e que este facto não nos deve travar o desejo de mudança. Ainda que devagar, ainda que à custa de pequenos recuos se necessário, mas sem medos. A diferença entre a euforia estéril e o avanço responsável de uma sociedade é exactamente esse: reconhecer os erros e emendar. Trabalhar as dúvidas e apostar nas convicções, com a ressalva de que não há soluções milagrosas. Mas há vontade, determinação e confiança. E humildade suficiente para aprender, sempre. É isso que nos salva.
Cristina Vieira (do blogue Contra Capa)
"O futuro não pode constituir uma ameaça maior que o passado"
ReplyDeleteNão sei como se pode dizer uma coisa destas.
Eu tenho a certeza de que sobrevivi ao passado e tenho a certeza de que não vou sobreviver ao futuro...
Viva, Cristina. Foi um gosto tê-la por cá.
ReplyDeleteObrigada Pedro, pelo convite. o gosto foi meu.
ReplyDeletebeijinhos
talvez por isso, como não podemos sobreviver-lhe por que é que havemos de ter tanto medo de apostar no que nos pode fazer mais feliz? é isso...
ReplyDeleteExcelente texto. O risco faz parte da vida.
ReplyDeleteOlá Cris,
ReplyDeleteo medo do desconhecido na sociedade portuguesa acontece por um certo comodismo. Explico: a grande maioria dos portugueses estão acostumados ao seu modo de vida, trabalhar durante a semana, o mesmo trabalho durante anos, os chefes não exigem nada, eles também não reclamam; em casa repete-se a mesma rotina. E o fim de semana serve para não perder a prática do trânsito caótico a sair de Lisboa, na ida para o Alentejo. E nem os preços galopantes da gasolina, e da Euribor fazem tremer os portugueses!
Uma amiga minha contou-me na semana passada que o drama dos portugueses, não era a falta de combustível nas bombas de gasolina, a questão era que podiam não ter gasolina para ir de fim de semana!!! Isto é sintomático e diz tudo!
Por tudo isto e muito mais, aceitei vir trabalhar para Madrid, e cada vez estou mais satisfeito! Pelo menos os espanhóis quando pensam que devem reclamar, fazem-no sem o menor constrangimento!
Obrigada Sofia, um beijinho.
ReplyDeletedesi
ReplyDeleteobrigada por cá vires :)
é uma coisa que me "fascina" em portugal. pobre, mas o mais consumista, o que tem mais telemoveis, o que yem mais "segundas casas" da Europa, aquele em que mais pessoas usam carro proprio para trabalhar, aquele que tem mais restaurantes, e por aí fora...é um verdadeiro milagre.
beijocas
O passado já passou..o futuro faz-se com o nosso presente..
ReplyDelete..nasci sem filtros, quero continuar a viver sem eles..
Excelente texto Cristina
abraço
intruso
obrigada pelo carinho
ReplyDeletebeijos