Nunca me esquecerei dum genuíno elogio feito há muitos anos ao meu avô homónimo, vindo de um desconhecido que com ele privara: “o seu avô foi dos melhores e mais divertidos conversadores que conheci em toda a minha vida”.
Hoje reconheço o valor da rara, boa e sã conversa. Descomprometida e desinteressada, sem constrangimentos. Que desfrutamos com amigos especiais ou em raros estados de graça. Conversa cúmplice que simplesmente acontece, e não se encomenda. Com a qual resolvermos os verdadeiros problemas do mundo e da existência, principalmente a dos outros. Discutindo o tudo e o nada, um livro, um autor; recordando memórias, aventuras, gaffes ou anedotas, risos e gargalhadas. Zombando dos outros, da vida e de nós próprios. Até às lágrimas, até ao silêncio, até à próxima.
A boa conversa é prática rara e fidalga que só os espíritos livres podem alcançar. Sem pretensões, pelo simples prazer de se estar vivo e de nos termos uns aos outros. Para uma bela e salutar cavaqueira.
Cada vez mais falamos sozinhos.
ReplyDeleteSempre achei difícil adjectivar "o melhor";
ReplyDeleteNão me interessa o carácter de justiça;
Falei 'pouco, mas bom' com o meu avô:
Esta é uma postada com a qual concordo a 100 por cento.
CLAP, CLAP, CLAP
Não podia estar mais de acordo! Uma boa conversa lava a alma, oh, se lava...
ReplyDeletePois, João. Ainda esta semana isso aconteceu, em casa do FAL. E ainda bem.
ReplyDeleteÉ isso mesmo, uma boa conversa salva-nos de quase tudo.
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ReplyDeleteJá não há bons conversadores como o seu avô deveria sr e o meu avô também o era...
Adorei este texto.