Thursday, May 15, 2008

A bem da Pátria


 


Um SMS caiu ontem a meio da tarde no meu telemóvel com uma notícia que me deixou inquieto: o nosso primeiro-ministro, num exemplar acto pedagógico, anunciou aos portugueses que vai deixar de fumar!


Entende-se a solene comunicação. Há uns anos, quando tomei a mesma decisão, o meu médico aconselhou-me a anunciá-lo às pessoas mais próximas, familiares e colegas de trabalho, precavendo-as para um período emocionalmente instável na minha existência. No caso vertente de José Sócrates, sou levado a acreditar que ele considera todos os portugueses seus próximos, coisa que, dadas as suas funções e para mal dos nossos pecados, não deixa de ser verdade.

Dizem-me fontes bem informadas que o nosso primeiro-ministro quando está sob pressão tem "mau feitio", tem "pêlo na venta", enfim, é irascível. Assim sendo, esta sua decisão nesta altura, parece-me tão corajosa quanto inadequada: com uma crise económica mundial, eleições legislativas e a oposição de Manuela Ferreira Leite no horizonte, o panorama é o menos indicado para o nosso primeiro deixar de fumar. E não se julgue que é só o seu chefe de gabinete ou o Dr. Manuel Pinho que se arriscam, numa bela manhã de Verão, a levarem uma monumental e desabrida desanda, numa crise aguda de privação do furibundo Sócrates. Imaginem simplesmente que num belo dia, numa qualquer cerimonia inaugural de Estado, o homem se insurge descontroladamente contra uns manifestantes desempregados, obrigando a polícia de choque a intervir protegendo o povão imprudente e mal-agradecido.


Com este intimo anúncio, estamos todos preparados para o pior. Mas bastará um singelo pedido de desculpas, que o pessoal talvez vá perdoá-lo: “coitado, é uma má fase, vejam lá como ele está mais gordo... deve ser dos bolos e dos calmantes”. 


Eu cá por mim e para bem da Pátria, acho melhor que alguém lhe ofereça depressa um maço de SG filtro e uma carteira de fósforos. E de caminho que surja um líder de jeito e uma nova maioria que governe este malbaratado país.

10 comments:

  1. Confesso que me senti mais próximo do nosso primeiro. Tão próximo, que era capaz de dar-lhe um cachaço.

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  2. Tadinho dele, não fez por mal, nem sabia que não se podia fumar no avião, os fumadores esconderam-se por mero acaso atrás da cortina para conversarem mais à vontade.

    Para o ano, vou fazer parecido. Não entrego a declaração do IRS e depois digo que não sabia que tinha de o fazer, que ignorava que houvesse regulamentos que a tal me obrigassem, e que vou passar a fazê-lo e tal.

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  3. Pedro Barbosa PintoMay 15, 2008 at 3:32 AM


    Há uns tempos atrás, numa entrevista, disse que fazia jogging porque tinha deixado de fumar e tinha que ter cuidado para não engordar.
    A próxima vez que meter o pé na argola, é capaz de nos anunciar que foi a conselho do médico que teve que voltar ao vício.
    Imagino o anuncio:
    - Portugueses, o médico disse-me que ou voltava a fumar, ou teria que deixar o Governo. Ora eu não vos poderia deixar entregues ao destino e então, com prejuízo da minha própria saúde, decidi voltar a fumar.

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  4. É ignorado pela generalidade das pessoas que a lei vigente inclui uma excepção para os licenciados pela UI que tiraram inglês técnico por fax, cujos podem fumar onde lhes apetecer.

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  5. Também me lembro dessa sua afirmação que tinha deixado de fumar e passado a fazer jogging. Foi durante a sua visita agachante aos democráticos chineses. mais uma vez, confirma-se o que a Ferreira Leite disse há semanas no Expresso: o Sócrates mente!

    José Abrantes

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  6. Fumou no avião ??
    Mata-se o gajo !!
    De preferência na fogueira da inquisição, tão ao gosto dos portugas !

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  7. Realmente, o país não anda assim tão mal... quando estas notícias são o primeiro destaquede todos os serviços informativos (de rádio, TV e internet), significa que a Euribor, o défice e o preço do petróleo são de impacto menor para o português. Lamentável.

    Em termos de País e de liderança, espero que as eleições no PSD tragam uma lista vencedora forte, sólida e com grande maioria interna... para que, ao contrário do que aconteceu no passado recente, sejam uma oposição válida e alternativa real ao Governo.

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  8. Mais PSD ???
    Ainda não chegou o que já tivemos ?
    Agora querem o Salazar de saias ??? Mais do mesmo, ou aida pior ???

    Eu quero ir prá ilha !!!!!!!!!!!!

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  9. Prá da Madeira?

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  10. Não pá !!!
    Prá outra, onde não há palhaços !!

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