Friday, April 18, 2008

O caminho para a glória


A estrondosa vitória alcançada pelo Sporting frente ao arqui-rival Benfica e a conquista de um lugar final no Jamor a 17 de Maio próximo, além da motivação para o que resta da temporada, tem como consequência o reforço da imagem do treinador Paulo Bento, não só pública como interna. Espero que isto não seja uma má noticia para nenhum sportinguista.

Esvazia-se desta forma a tese da incapacidade do técnico leonino na moralização da sua jovem equipa, reclamada por uma facção de adeptos e opinadores profissionais. Os mesmos que reclamam uma nova estratégia para a gestão do clube de Alvalade, uma redentora direcção que devolva ao clube a tradição de glórias ancestrais.

Facto relevante é que eu, com quarenta e seis anos, não me lembro dessa mítica era. Lembro-me antes de obscuras administrações, sem estratégia ou desígnio, de João Rocha a Jorge Gonçalves, passando por Cintra e outros equívocos. A verdade é que há mais de quarenta anos, entre um campeonato ou uma taça doméstica, os resultados desportivos nunca foram extraordinários. E o que dizer das politicas de contratações, que salvo honrosas excepções resultaram quase sempre medíocres e desastrosas para os cofres do clube? Durante a longa travessia do deserto dos anos oitenta e noventa, enquanto o património definhava, os treinadores não aqueciam lugar e as jovens promessas abandonavam do clube a “preço zero”.

Hoje prepara-se um Congresso do Sporting, ideia louvável para promover o debate dos resultados e falhanços recentes, uma oportunidade para se repensar o futuro. Um futuro que se antevê difícil, dado os recentes aumentos do custo do dinheiro, e uma implacável crise económica internacional que se instala. Tudo factores que pouco propiciam aventureirismos e mistificações.


O êxito e a fortuna, decididamente, são bens escassos. Eu sou um conservador nato e na gestão de qualquer projecto não acredito em soluções miraculosas, ou “amanhãs que cantam”. Sem cedências ao conformismo, acredito na perseverança fundada numa estratégia racional e de médio ou longo prazo. O futebol quanto a mim deve ser jogo, paixão e delírio, mas só no campo e nas bancadas. Para que gloriosos jogos como o de quarta-feira não acabem jamais.

3 comments:

  1. Peço desculpa a quem leva o futebol a sério (e sei que falo de 90% dos portugueses), mas Paulo Bento, para mim, é uma personagem cómica. Equivalente aos Gatos (fedorentos) mas com a vantagem de não obedecer a um guião prévio e por isso nos brindar com improvisos deliciosos. Por causa dele, até concordo com o que diz: o futebol é um delírio, mesmo...

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  2. Caro João Távora,

    Não sei se sou tão sportinguista como você. Mas sei que não me ganhou no delírio sanguinário de exultação por este massacre infligido aos desprézíveis lampiões.
    Agora, a minha auto-complacência com o resultado final e com a exibição dos últimos 35 minutos não chega a cegar-me.
    Que o desempenho decibélico de Paulo Bento no balneário ao intervalo tenha sido decisivo para a reviravolta no jogo é coisa que não contesto. Mas a capacidade de motivação alheia não basta. Veja-se a propósito o exemplo de Scolari na selecção: louvável do ponto de vista psicológico, lamentável no que concerne ao encolhimento táctico, ao conservadorismo defensivo e ao mongolóide nepotismo da preferência por unidades prejudiciais ao País (veja-se o auto-cataclismo Pauleta).

    Por isso lhe digo: Paulo Bento esteve bem ao corrigir relativamente cedo o seu próprio erro de ter feito alinhar de início o perigosíssimo (para nós) Adrien Silva. Esteve razoável (para a sua sofrível média) ao adiar apenas por vinte minutos a saída do ausentíssimo Romagnoli - saída-chave do jogo ao permitir a entrada de Derlei, o jogador com mais vontade de ir aos cornos ao adversário.
    E esteve bem, sim (sortudo, provavelmente), ao passar para o incompentente treinador adversário toda a paulobentice do costume. Essa mesmo, a de ficar a defender a vantagem de dois-a-zero, em vez de procurar determinadamente o três-a-zero que enterraria a dúvida da eliminatória.
    Meu caro, não tenho feito outra coisa há meses senão defender o despedimento sumário de Paulo Bento. Antes deste triunfo, é óbvio que a última oportunidade racional foi a desnecessária eliminação da Taça UEFA pelo perfeitamente acessível Glasgow Rangers. Agora, é evidente que Bento deve ficar até ao final da época. Afinal, faltam quatro jogos da Liga e a final da Taça com o Porto. Mas continuo a dizer que o mais promissor mesmo é arranjar alguém melhor (não é difícil) para a próxima época, e isto inclui o Bento, mas também o auto-franco-atirador que ocupa a presidência do clube.
    Porque, convenhamos, por mais histórica que tenha sido a reviravolta de quarta-feira, o que é o Benfica mais do que a equipa que tinha acabado de levar três secos em cada da Académica?!



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  3. Fiquei muito contente por o Sporting ter ganho- e fiquei contente também pelo Paulo Bento: merecia assim uma alegria; para mim a festa do futebol também é isto- partilharmos as alegrias e tristezas dos protagonistas...

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