Um amigo meu há uns dias na caturrice gabava-se da sua veia esquerdista ao defender a liberalização das drogas “leves”. Perguntei-lhe se tinha consciência dos efeitos dessas substâncias nos miúdos, como a perda de concentração, auto-segregação e declínio no rendimento escolar. Finalmente indaguei se tinha adolescentes em casa. Confirmou-me que não.
Com quarenta anos de propaganda mais ou menos explícita na industria do espectáculo direccionada aos adolescentes, as drogas, mais ou menos pesadas, continuam a fazer vítimas e danos na nossa sociedade, já de si em rápida mutação e crise de valores. Impotentes perante o flagelo, as sociedades liberais ensaiam soluções, incluindo a liberalização. Não sou crente em teorias da conspiração, mas a quem interessa este estado de coisas? À colossal indústria de estéreis terapêuticas da toxicodependência, e às grandes farmacêuticas e seus incipientes paliativos?
Reconhecendo a complexidade do problema, a questão da proibição ou liberalização das drogas leves ou pesadas, mais do que a sua real eficácia legal, é para mim uma questão de ética. O sinal emanado pela lei não me parece uma questão menor: nalguns dos princípios promovidos na ordem doméstica, eu prefiro ser apoiado pela legislação do meu país.
De resto, se para algumas favorecidas luminárias da nossa praça o consumo de droga significa apenas uma caprichosa diversão de circunstância, tal não altera o seu cariz desestruturante e funesto para a generalidade dos indivíduos.
Pois , mas os que não se desestruturam com canabis não temos que gramar com a possivel desestruturação dos outros , pois não?
ReplyDeleteAcontece , que sendo o tema da cannabis tabu , jamais iremos ter uma cultura de consumo dessa droguinha - é uma droguinha comparada com valium ou serenais , ou até álcool-e somos impedidos de explicar e ensinar que não se conduz , não se trabalha e não se vai a aulas fumado , tal e qual como não se vai com os copos . Mas claro , álcool e medicamentos pagam imposto , e uma plantinha caseira não. E é aí que reside todo o problema , satisfação quasi gratuita do cidadão.
Ver televisão e ler o jornal é muito pior que fumar uns produtos naturais. As proibições não contribuem para a diminuição do consumo, mas apenas para o enriquecimento de alguns. O tabaco também é uma droga... o Eça escreveu um bom artigo sobre esse vício e no entanto é legal. O Estado diz que mata, mas cobra um bom imposto sobre o seu consumo. As drogas são como os subsídios e as obras públicas... destroem a economia, mas alguns fartam-se de gozar com elas. Vai um charrito? Ó pá não... eu vou fazer um tgv, que a economia francesa precisa de um bom empurrão!
ReplyDeleteNão encorajo os meus filhos de fumar, nem tabaco, nem canabis. Também não os encorajo de beber alcool. Mas conheço inúmeras pessoas, de 20, 30, 40, 50 anos, que regularmente fumam charros e levam vidas normais e responsáveis. Como conheço pessoas que bebem o seu copo de vinho diário...
ReplyDeleteQuestão ética? De onde vem isto? Está nos dez mandamento que não se deve fumar?
Ético é ser responsável, e responsável é olhar de frente as consequências. E as consequências de meter canabis e cocaina, heroina, extasy no mesmo saco, mas deixar o alcool e todos os medicamentos valium, xanax, prozac etc. fora, são desastrosas.
A criminalização das drogas leves
As drogas leves são prejudiciais? São sim senhor, e o álcool não o é? E nem por isso deixa de ser vendido tal e qual como o tabaco. A questão é que as drogas leves são sem sombra de dúvida as mais consumidas pelos adolescentes e adultos, sim porque até aos 50 anos ainda há muita boa gente que a consome. Ou seja o mercado é bem grande. A economia paralela que daí provém dá muito dinheiro também a muito boa gente. Será que quem não quer a legalização serão os beneficiados pelo actual estado de coisas? Não sei porquê mas isto também me faz lembrar o IVG, é que alguns dos "cidadãos pela vida" ou faziam-nos em Espanha ou lucravam e bem com o aborto ilegal. O conservadorismo neste país contínua bem vivo, afinal entrámos na UE para quê? Não foi também para aprender com os nossos parceiros em diversas matérias. Aprendam com a Holanda nesta e noutras matérias.
ReplyDeleteBeba menos, se e só se for o caso, e fume um charro que isso passa-lhe
ReplyDeleteAntes de falar das ilegalidades, deveria reflectir sobre as legalidades, muito resumidamente, antes de falar das drogas leves porque não aponta a sua atenção para o alcool? É, só e apenas, a maior causa de morte nas estradas portuguesas. As drogas leves? Nunca ouvi falar.
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