Apesar de depois de muita pancada ter aprendido a ser pontual, não sou muito crente nessas coisas das horas e calendários. Mas quem sou eu para pôr em causa essas linhas com que nos cosemos conformadamente há tantas gerações...
Pois foi há já muitos anos que perdi a inocência, quando descobri que os ingleses mediam as distâncias com milhas, que o merceeiro aldrabava nos pesos, e que na China era de noite. E como eu gostava de "ligar para as horas” e sabê-las certas e indubitáveis “ao terceiro sinal”! Confesso que o golpe fatal na minha crença foi perpetrado sabe Deus quando, por um dos governos de austeridade de Mário Soares, quando se decretou a mudança da hora duas vezes por ano! Mudar a hora não fazia nenhum sentido... de que servia ter o relógio atomicamente acertado se, de repetente, era tudo mentira?
Hoje ainda não me conformo com a metamorfose horária, principalmente na primavera, quando nos roubam descaradamente o fim-de-semana em sessenta preciosos minutos... de sono. E eu bem sei que Einstein já dizia que o tempo é relativo, que é uma curva, coisa e tal; mas uma hora de diferença é demais! Principalmente para os miúdos mais pequenos que andam com os sonos e os apetites trocados, com as consequentes embirrações existenciais – coisa que neles se traduz em choradeiras e disparates.
Enfim, que o tempo não é fiável e que a as diferenças horárias pagam-se caro com umas úlceras e insónias, já eu sei por experiência própria com as viagens. Mas que a família toda tenha que sofrer uma semana inteira de jetlag sem sair do fuso horário do Estoril é que não está certo, é uma chatice.
A ver se logo adormeço a tempo de retemperar bem as energias, que isto não está nada fácil!
Na "china" é de noite e no Tibete é de noite cerrada.
ReplyDelete"jetleg" é uma doença das pernocas, não?
ReplyDeletePois eu acho que a hora tal como está e com a respectiva mudança foi praticamente a única coisa boa do tempo do engenheiro (esse sim) Guterres.
ReplyDeleteAinda me lembro do tempo em que às 8 da manhã era de noite e também da altura em que o Cavaco nos dava sol às 10 da noite.
Será que a Mantega sofre de jetleg? Eh Eh
ReplyDeleteA mudança da hora é mais uma "alienação da soberania".
ReplyDeleteSão apresentados uma série de argumentos, desde a poupança de energia até à segurança. Estes que mencionei são, quanto a mim, falaciosos.
Quando os dias começam finalmente, a ser maiores, no início da primavera, é quando aumentam mais uma hora de sol, no fim do dia. O inverso dá-se no equinócio do Outono.
Logo não faz sentido nem quanto a poupança nem quanto a segurança.
No inverno, quando a questão é mais crítica, dizem que é para as crianças irem para a escola de manhã, já com Sol. E eu pergunto e as que acabam a escola ao fim da tarde? Por outro lado, está provado que a incidência de crimes é menor de manhã. De facto os meliantes não têm por hábito "trabalhar" cedo.
Logo, a meu ver, muda-se de hora porque sim!