Um dos grandes equívocos da “cultura” urbana vigente é a pressuposta benignidade pedagógica da outorgação do livre arbítrio quase incondicional ao jovem adolescente, que por natureza é rebelde e transgressor.
Parece-me a mim que um adolescente responsável e ponderado é uma aberração. Lá em casa, a liberdade que vamos concedendo aos miúdos é controlada à distância e à condição do mérito patenteado nas tarefas e projectos em que estão envolvidos. Por outras palavras: às vezes a regra é mesmo a repressão, exercida com muito “afecto” e “envolvimento”... se eles estiverem para aí virados. Enfim; é uma canseira, para mais sem garantias nos resultados.
Não sejamos ingénuos: se na escola ou noutros espaços públicos os seus limites não forem claros e firmemente impostos, eu não ponho as mãos no fogo pelas suas atitudes e escolhas. E se por acaso o estimado leitor ainda não tem filhos na idade do armário e não percebe do que eu estou a falar, visite uma escola pública ou veja umas horas de MTV numa tarde destas. E depois não se ponham a afogar os petizes no lavatório, pois vão-se arrepender e além disso a maioria deles voltarão a ser razoáveis lá para os vinte e tais. É quase certo.
Sim, essa coisa da autorgação não devia ser permitida.
ReplyDelete"pressuposta benignidade pedagógica da outorgação"
ReplyDeleteQuantas destas palavras causam espécie ao Pedro Correia?
Helas! Desta vez saiu assim com palavras caras caro I Rodrigues. :-)
ReplyDeleteEm relação à última parte do seu post caro João, relembro o que me dizia a minha mãe há uns tempos: "vocês só têm piada quando são bebés, e depois a partir dos 18,19, que é quando ultrapassam a fase parva da adolescência". Claro que alguns só ultrapassam essa fase mais tarde do que outros, então com este fenómeno dos filhos se arrastarem por casa dos pais até aos 30 anos...
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