Com um Sol radiante e desinibido como o da primavera, atulhado com jornais que não vou conseguir ler, sento-me a uma mesa do paredão da Poça para uma revigorante bica cheia. Mesmo como eu gosto. Entretanto o Zé Maria, na cadeirinha de passeio, distrai-se com os ciclistas a passear, a miudagem em correrias, ou um cão fortuito que galopa com a língua ondulante. Mexo o café, enquanto me concentro nas primeiras linhas daquela notícia, e logo o rapaz se começa a inquietar, com ganas de se atirar ao mundo que está todo ali à sua frente. Ao terceiro guincho, de trespassar o mais resistente tímpano, concedo à urgência das súplicas e liberto-o das amarras da cadeira. Vai daí ele desarvora pelo paredão, de gatas por entre as passadas dos atletas de fim-de-semana e atravessando-se à frente dos casalinhos enamorados, em direcção ao abismo que cai para as rochas e para o mar feiticeiro.
Então, renunciando às minhas vontades, disponho-me a apoiá-lo num passeio pelo seu pé: dobrado pelos abdominais, agarro-o pelas mãozitas e lá vamos nós paredão afora. Enquanto o miúdo chilreia de felicidade, o giro cedo se torna numa tortura para as minhas costas, dada a minha compleição física de pai tardio. Eu devia era fazer mais exercício, ou arrisco-me a passar vergonha quando jogarmos à bola. E afinal de contas que mal faz não ler os jornais?
Que saudades do paredão!
ReplyDeleteNão faz mal nenhum, caro João Távora... mal faz em não fazer exercício e olhe, ponha-o no rugby e assim já tem uma boa desculpa para não jogar com ele :).
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