Revejo-me na comoção da visita presidencial a Moçambique. A minha mulher, como a grande maioria das portuguesas, também se chama Maria, e casualmente acompanha-me em incursões saudosistas na Lisboa em que cresci. Do Estoril onde vivo hoje ao cenário dos meus tempos de menino é apenas um pequeno salto. Pelo Bairro Alto ou na Avenida da Liberdade, por Picoas ou em Santos o Velho, de Santa Marta à rua da Palma, os cheiros e as imagens ainda nos reavivam memórias e sensações passadas. Mas cedo ficamos chocados com a deprimente destruição que grassa por meia cidade: entremeado com sofisticados centros comerciais e prédios de escritórios, deparamos com o entulho borrado de graffiti, janelas e portas entaipadas, quarteirões em escombros e paredes periclitantes. Um quadro dantesco de uma cidade arruinada, devoluta e inviável.
Thursday, March 27, 2008
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O espelho de Alcácer
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Não tenho grande pachorra para "socialites" ou intriguinhas “cor de rosa”. Nunca dei muita atenção às fofocas sobre o casamento d...
Nada que um terramoto não resolva...
ReplyDeleteDeparamos... não é?
ReplyDeleteDe repente, «deparamo-nos» deu «deparamos». Não tem de quê...
ReplyDeleteCaro João Távora,
ReplyDeleteComo lisboeta "born and raised", subscrevo o seu comentário e acho que se há palavra que melhor descreve o estado actual da cidade é, sem dúvida devoluta.
Vendo a coisa por um prima optimista, pode dizer-se que pior do que está é quase impossível.
Eu agradeço a correcção caro JC.
ReplyDeleteJoão, a fotografia é do Largo do Rato, certo? Ainda me lembro do autocarro que parava umas 2 vezes por ano para quem quisesse dar sangue. Já foi um sítio respirável.
ReplyDeleteCaro Rui: É o largo do Rato antes de Lisboa se mudar em peso para a periferia. Grato pela visita! :-)
ReplyDeleteNascido e criado em Santarém, que só agora parece começar a pensar em sacudir a modorra,vamos ver se não adormece outra vez,Lisboa fez parte da minha diáspora.Pois é,vivi para os lados da Estrela/Lapa,muitas vezes utilizei os eléctricos de circulação Estrela-Gomes Freire e Estrela-Príncipe Real,com "escalas" no Rato,comi em muita tasca na Madragoa e Campo de Ourique,no Sr. Justino ( Casa Valenciana?) na Calçada da Estrela,apanhei sècas à espera do "13" e do "27", terei bebido uns hectolitros de cerveja na Trindade e no Napoleão, tinha vinte anos e essa Lisboa era desse tempo. Agora tenho 52,alguma saudade e a esperança de partir um dia, calmamente,filhos e netos felizes e com a sensação de ter podido disfrutar de algo e não ter,talvez,"chateado" ninguém. Thanks for the memories...
ReplyDeleteE eu antecipei-me, caro João Távora. Mais a mais, em nova visita histórica e que tanto aprecio, como sabe.
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