Thursday, March 13, 2008

Do preconceito ao pecado

Ao contrário do que consta por aí não foi decretada pelo Vaticano uma "nova lista" de pecados mortais. O equívoco baseia-se numa entrevista do Bispo D. Gianfranco Girotti ao jornal do Vaticano L’Osservatore Romano, na qual o prelado, pertinentemente, aborda as novas formas do “pecado social”. Que eu saiba, os dez mandamentos ensinados pelo catecismo da igreja são suficientemente abrangentes para as mais imaginativas formas de corrupção humana.


Não sei em quantas casas portuguesas ainda se fala do pecado, um conceito que o contemporâneo caldinho de cultura e as mais diversas formas de relativismo puseram fora de moda. Na minha, onde se promove a vivência do modelo de Cristo, o assunto “pecado” não é tabu, porque achamos que para enfrentarmos os “bois” temos que chamá-los pelo seu nome.


Estranho bastante a cultura vigente, rápida na denúncia da violência abstractamente considerada, uma cultura que sofre com as estatísticas, por exemplo, da violência doméstica, mas que parece menosprezar o facto de esses números, que são agressões, terem origem em actos concretos, da responsabilidade de pessoas concretas e que vitimam seres de carne e osso, como nós. É normal e legítimo reclamar contra a corrupção, desonestidade e falta de princípios das pessoas. É vulgar e legitimo a denúncia dos problemas pessoais e sociais causados pelo consumo de drogas ou álcool. É de bom tom protestar contra a guerra ou contra a xenofobia, e indignarmo-nos com a simples existência de mães adolescentes ou mulheres que abortam.


A questão, é que por detrás de cada drama como os que referi, está um comportamento, um acto mal medido, mesmo que explicável pelas circunstâncias. Que não deixou de ser um equívoco, uma “falta”, um desvio à individual vocação de cada um para a íntima bondade e público bom senso. Equívocos, faltas e desvios, apesar de tudo, voluntários e, nessa medida, merecedores de uma censura que mais não é do que o reconhecimento de que outro comportamento deveria ter sido adoptado por aquela pessoa concreta. Com a sua história, com a sua estrutura e com o seu contexto. Isto, na minha linguagem, chama-se “pecado”. Resta salientar o mais importante, que a verdade do pecado, para o cristão deverá ser tão relevante quanto o perdão. Uma graça decisiva para o processo individual de crescimento, para quem tem fé, um árduo e exigente caminho para a redenção que alcançamos pelo amor do nosso Deus. E isto é uma coisa boa.


 


Ao Nuno Pombo um grato abraço.

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Porque me parece que às vezes não se sabe do que se fala, aqui ficam listados Os dez mandamentos e os 7 pecados mortais:


 


Os 10 mandamentos


 


1- Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas.
2- Não invocar o santo nome de Deus em vão.
3- Santificar os Domingos e festas de guarda.
4- Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores).
5- Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo).
6- Guardar castidade nas palavras e nas obras.
7- Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo).
8- Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo)
9- Guardar castidade nos pensamentos e desejos.
10- Não cobiçar as coisas alheias


 


Os 7 pecados mortais



1-Vaidade,
2- Inveja,
3- Ira,
4- Preguiça,
5- Avareza,
6- Gula,
7- Luxúria


7 comments:

  1. Talvez o sr. Távora saiba porque é que a estátua do Cristo-Rei está apagada há semanas.

    Por estarmos na Quaresma? Mas não me recordo de em anos anteriores isso ter acontecido...

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  2. Quer então dizer que o sr. Sousa Cintra, quando atirou uma garrafa de água contra o vidro da janela do carro (pensando que a lançava fora) não cometeu nenhum pecado.

    Fico mais descansado.

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  3. Com os meus cumprimentos, segue uma pequena edição: vaidade, inveja, ira, preguiça, avareza, gula, luxúria.

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  4. Um post interessante e que desafia. Embora de acordo com o "espírito" do post, tenho algumas reservas em relação ao conteúdo, pois parece-me que implicitamente há uma convergência da noção de pecado com a noção de crime, noções essas que provêm de diferentes registos. Também eu estou com vontade de escrever sobre o assunto, mas tem faltado oportunidade.
    Joana

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  5. Pelos vistos, João, cometi o pecado de me fiar nas notícias que saíram na Imprensa portuguesa, dai ter feito aquele post sobre os novos pecados mortais. Se fosse verdadeiro aquele anúncio era, a meu ver, um tanto disparatado. Ainda bem que não é assim. Os sete que existem já são suficientemente abrangentes :)

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  6. E já agora: sabia João, que se comparar os dez mandamentos do catecismo com os que vêm na Biblia eles não são coincidentes? É um facto curioso, que muitos católicos desconhecem.

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  7. Não sei ao que se refere Teresa.
    A Bíblia compõe-se por diversos livros, de autores diversos e escritos ao longo de 1600 anos.
    No novo testamento (a principal referencia dos cristãos Jesus reforça a validade dos “velhos” mandamentos e em Jo 13 proclama "Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros." Eis a grande revolução.

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