Confesso que torço pelo Sr. Obama, e tenho pena que ele não seja preto retinto, assim como os da Guiné. Torço por Barack Hussein Obama, porque tem nome e apelido de muçulmano, e isso pode baralhar os mais tarados anti-ocidentais. Torço por ele também pela sua estética idealista, “We shall overcame”, que também eu tenho direito ao meu lado kitsch.
Estes são as razões porque um conservador como eu torce por Barack Obama, porque nenhum dos preconceitos atrás referidos é propriedade da Esquerda.
E porque a vitória do Democrata Obama oferece-nos a todos a possibilidade de, durante pelo menos cinco anos, descansarmos da estafada retórica esquerdista anti-americana. Será politicamente incorrecto! Como sobreviverá a esquerda inquisitorial sem o seu tradicional bode expiatório? Talvez se ilumine e refresque as empoeiradas ideias.
Finalmente, para aqueles que consideram o candidato democrata demasiado naif para o cargo, eu acredito que a grande virtude da democracia americana, a mais legítima das repúblicas, é a sua autonomia funcional e capacidade regenerativa. Mesmo face ao mais canhestro dos dirigentes que a História lhe conceda em sorte.
Estes são as razões porque um conservador como eu torce por Barack Obama, porque nenhum dos preconceitos atrás referidos é propriedade da Esquerda.
E porque a vitória do Democrata Obama oferece-nos a todos a possibilidade de, durante pelo menos cinco anos, descansarmos da estafada retórica esquerdista anti-americana. Será politicamente incorrecto! Como sobreviverá a esquerda inquisitorial sem o seu tradicional bode expiatório? Talvez se ilumine e refresque as empoeiradas ideias.
Finalmente, para aqueles que consideram o candidato democrata demasiado naif para o cargo, eu acredito que a grande virtude da democracia americana, a mais legítima das repúblicas, é a sua autonomia funcional e capacidade regenerativa. Mesmo face ao mais canhestro dos dirigentes que a História lhe conceda em sorte.
Quem olhe para a figura de Obama, quem o escute nas suas tiradas de clássico moralismo suburbano, ao já estafadíssimo estilo Kennedy/Carter, poderá ter alguma ilusão acerca do conservadorismo do senhor?
ReplyDeleteAqueles apelos ao Altíssimo, a família reunida à volta da lareira, torna-o enfim, num autêntico Mon Chéri para os tradicionais votantes republicanos. O partido do elefante, deve estar extasiado com esse autêntico maná caído de um céu certamente muito ao gosto wasp, evangélico.
Mas a realidade é bem conhecida e depende somente dos poderes de facto; a administração corrente que não muda e os interesses lobistas. É um bem encenado espectáculo da Broadway, nada mais. Todo o entusiasmo que floresce na selva mediática europeia, é apenas mais um sintoma da nossa patetice, tão relevante como a escolha do vencedor do Big Brother.
A probabilidade de um negro chegar a presidente dos Estados Unidos no AD 2008, é igual à de abrirmos a janela...e vermos um porco a voar. E bem contente eu ficava, não de ver o porco a voar, mas um negro na casa branca.
ReplyDeleteTalvez lá para 2108.....?
JA
Sr. Távora,
ReplyDeleteMas por que razão a esquerda se calará, se, porventura, Obama vier a ganhar?
Um americano preto é igual a um americano branco. Não é a cor da pele que distingue os homens. O que faz a diferença é o pensamento e um americano é um americano.
E eu sou um orcedor pela Sr.ª Clinton.
Eu não disse que Esquerda devesse calar-se! Salientei a oportunidade de mudar, renovar o seu discurso.
ReplyDeleteSr. Távora:
ReplyDeleteClaro que o disse por outras palavras. Claro que sim.
Eu relembro: « (...)a vitória do Democrata Obama oferece-nos a todos a possibilidade de, durante pelo menos cinco anos, descansarmos da estafada retórica esquerdista anti-americana».
Se descansariam …
O que é que isso, espremido, quer dizer?
A minha única dúvida é o "a todos".
Essa maximização levada ao pleno, essa hipérbole, é que eu não entendo. Mas o resto percebo bem.
Não sou daqueles que acham Obama demasiado naïf para o cargo que o caro João Távora lhe reserva. Afinal, Obama é naïf quanto baste para ter o cargo de candidato do partido Democrata à Casa Branca.
ReplyDeleteO quê? Não me digam que ficaram a pensar que o João Távora torce por Obama para que este chegue a Presidente?
Nada disso. Ele torce por uma vitória de Obama, sim, mas sobre Hillary Clinton.
Ou seja, a melhor maneira de garantir, depois, a eleição do republicano John McCain para "homem mais poderoso do mundo".
Quando o João Távora se refere à "possibilidade de, durante pelo menos cinco anos, descansarmos da estafada retórica esquerdista anti-americana", está evidentemente a referir-se à gravitas heróica de McCain, aos rectíssimos princípios do ex-militar, à sua imagem de antigo prisioneiro de guerra no Vietname, defensor (quase) infatigável da Convenção de Genebra e dos direitos humanos. Com tantos louváveis atributos, a esquerda aderiria em massa à Administração McCain, numa demonstração de inequívoco repúdio pela "estafada retórica esquerdista anti-americana".
O descanso só não seria "durante pelo menos cinco anos" porque, da última vez que reparei, o mandato presidencial nos Estados Unidos continuava a ter somente a duração de quatro anos. A "capacidade regenerativa" da democracia americana ainda não deu para esticar o mandato um ano.
Cá para mim, perpassa subliminarmente pelo texto do João Távora uma pulsão McCaino-messiânica, assumida, sim, no post escrito há dias pelo Pedro Correia, postulando que o Senador do Arizona evoca Eisenhower.
O que está em causa nesta torcida do João Távora pelo Obama é evitar acima de tudo o regresso dos Clintons, que evocam, tal como Eisenhower, um dos períodos de maior prosperidade económica nos EUA, neste caso (oh que chatice!) durante uma Presidência não propriamente de direita.
Reconheço no entanto que a minha interpretação deste post tem um buraco: o monárquico João Távora desejar a eleição dum republicano. Mas, quem sabe, talvez o João esteja a evoluir no bom sentido.
PS - Pedro Correia, desculpe lá pelo "gravitas", mas não foi plágio.
Está desculpado, obviamente.
ReplyDeleteSr. Boemundo:
ReplyDeleteClaro que só um “lírico” poderia acreditar que o Sr. Távora desejava a vitória de Obama nas eleições.
Eu disse logo no primeiro comentário:
«Regressando às eleições Americanas, o que você espera é que - numa sociedade de preconceitos raciais ainda bem vivos - Obama fique vulnerável perante o candidato Republicano.
E, infelizmente, isso é bem capaz de acontecer».
Como vê, o cinismo de Távora é fácil de desmontar.
Admira-me, porém, a sua surpresa de um Távora monárquico desejar a vitória de um "Republicano". De todos quantos se têm manifestado não conheço nenhum exemplo oposto.
Para eles, serem conservadores é, apesar de tudo, mais forte do que serem monárquicos.
Qual a tendência de voto dos monárquicos em Portugal?
Sr. Manuel Leão:
ReplyDeletePara si também as minhas desculpas, pois não reparei na conclusão do seu raciocínio que, grosso modo, é a mesma que a minha.
Com uma pequena diferença: eu francamente acho que Obama não ficará vulnerável perante o candidato republicano; não, Obama será inapelavelmente derrotado por McCain.
É por isso que torço por Hillary Clinton, para que os Americanos corram com os conservadores da Casa Branca.
Só espero é que, com esta declaração de voto e com tantas desculpas por pseudo-plágios, não fiquem a ver-me como um heterónimo da Clara Pinto Correia.
Sr. Boemundo:
ReplyDeleteNão necessitava desculpar-se.
Eu concordei com o seu comentário.
Mas, o que me trouxe agora aqui, foi aproveitar este caso concreto para dizer que algumas vezes o "voto do coração" nem sempre coincide com o "voto da razão".
Se fosse cidadão americano estava, agora, com um grande problema para votar.