Friday, February 1, 2008

Faz hoje cem anos

Ninguém sabe ou calcula, quando se mata um rei, o que é que morre com ele e quantos séculos de história podem afogar-se numa pequenina gota de sangue.

Professor Agostinho Campos

8 comments:

  1. Esta frase parece talhada para aquele artigo do historiador Rui Ramos! Já reparou na minha aptidão para me fazer de, aquilo que efectivamente até sou meio, parvo?

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  2. Claro: um rei assassinado sempre é diferente de um plebeu, seja ele, sei lá, escritor, pintor, cirurgião, arquitecto, navegador, explorador, guerreiro, bispo, etc, etc, etc.

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  3. Caro João,

    Morrer um Rei é como morrer um pai.
    O primeiro post no meu blogue serviu para recordar um homem que meu avô me ensinou a respeitar. O meu avô foi o marinheiro do leme no navio D. Amélia e D. Carlos gostou dele ao ponto de o levar para terra, onde se tornaram companheiros das caçadas, porque o meu avô era considerado o melhor atirador da época.
    Abraço

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  4. Permita-me, João, que transcreva uma frase impressiva de Rui Ramos, no artigo da «Atlântico»: "Se quisermos imaginar um século XX sem Salazar, é preciso imaginá-lo sem a dominação do Estado pelo Partido Republicano entre 1910 e 1926- e nesse caso, é preciso imaginá-lo com D.Carlos"

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  5. Eu que sou republicano,católico,curvo-me,perante a imagem deste rei culto e, que gostava do seu povo,é sem dúvida um facto triste da história portuguesa, que diz tanto a si João.

    Um abraço.

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  6. "Morrer um rei é como morrer um pai?" Mas está tudo doido? De um lado, dão-se vivas aos gajos que mataram o rei. Do outro lado, chora-se a morte de um rei que morreu há cem anos, como se fosse (imagine-se)... o próprio pai. Este país se não existisse teria de ser inventado pelos Monty Python.

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  7. Eu ia a escrever: há cem anos morreu um homem. Mas tive de corrigir para: há cem anos morreram em Portugal muitos homens, contando-se entre eles o Rei, título que se aplicava, na altura, ao Chefe do Estado.

    Era, com certeza, uma pessoa estimável e de valor, tal como os seus adversários políticos também o eram.

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  8. Ao Manuel Leão: homem de valor era D. Carlos, disso ninguém tem dúvidas. Valorosa - quase um autêntico ministério dos assuntos sociais antes do seu tempo -, era D. Amélia. Mas,
    - valoroso o nepotista, caceteiro e chefe de quadrilhas de assassinos como o Afonso Costa?
    - valoroso o Almeida, organizador dos bombistas, descarado demagogo, incompetente? Em quê?
    - valoroso o pior intriguista e oportunista da época, o baraão de Joane, conhecido como Bernardino Machado, tão escandalosamente incompetente que foi por duas vezes deposto?
    - valorosa, toda a canalha que impôs à bruta a vontade de alguns, como a organização costista Formiga Branca? Valorosos eram os quadrilheiros do Abel Olímpio (o Dente d'Ouro) que conduziram a Camioneta Fantasma naquele sangrento e repulsivo trajecto?
    - valorosa foi aquela política de repressão, cerceamento de liberdades, corte absoluto nos cadernos eleitorais, esmagamento dos sindicatos?
    - valorosa foi a política de carne para canhão, enviando dezenas de milhares de pés rapado, sem preparação, mal armados e ineptamente comandados para a Flandres? E isto com o único e exclusivo fim de obter um ténue reconhecimento do regime de carniceiros que por cá medrava?
    - valorosa a política de desastre económico que conduziu a tremendos escândalos que acabaram por liquidar o regime em 1926?

    Pois...

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