Soares Franco, presidente do Sporting Clube de Portugal, deu ontem o pontapé de saída para uma campanha (há muito adiada) de angariação de novos sócios. O discurso, do ponto de vista da comunicação, está próximo da perfeição, ao pretender atiçar a velha rivalidade com os vizinhos da outra margem, como motivação base para os fins previstos: se “eles” que são seis milhões alcançaram os 150.000, “nós conseguimos melhor”. Desta vez a grande provocação é direccionada para o interior do universo leonino: o Sporting tem que conseguir melhor “do que eles”. E “eles”, têm aqui um papel fundamental. A grande rivalidade Sporting vs Benfica é um precioso património cultural válido para os dois grandes clubes de Lisboa. A rivalidade acirrada (de forma saudável), promove o jogo conferindo-lhe acrescida emoção e paixão, coisa sem a qual não há arte ou beleza que valham ao futebol. Um pouco como acontece a tudo na vida.
A estratégia é pois de tornar o desafio da angariação de novos sócios, num despique, num jogo também a disputar com os velhos rivais. O problema com que Soares Franco e a sua equipa de marketing se deparam, e cuja solução não depende deles no imediato, são os resultados desportivos da equipa de futebol profissional. Estes podem comprometer definitivamente a melhor campanha do mundo. Lançar esta acção de marketing, após uma miserável derrota sofrida em Setúbal, mesmo precedendo as emoções de derby de Domingo, pode resultar num rotundo fracasso, uma completa falsa partida. Não valia mais esperar pelo próximo fim de semana? Talvez não, pois há que contar com as contingências dum espectáculo cujo fascínio se fundamenta na imprevisibilidade: um verdadeiro jogo.
Meu Caro João, discordo da felicidade da opção de referir os adversários em campanhas promocionais e dou disso conta lá no braseiro.
ReplyDeleteAbraço
Ao rubro o campeonato de quem tem mais sócios !! (*)
ReplyDeleteJá o campeonato de quem ganha mais jogos é uma pasmaceira...
(*) não tenho a certeza mas acho quem vai destacado neste campeonato é o ACP...
Caro Paulo: o estimulo de qualquer jogo está na ultrapassagem do adversário, com especial motivação no "rival". Há muitos anos que gosto de futebol, em grande parte por conta da clubite aguda que me foi precocemente incutida. A “clubite”, doença que não renego, procede de sentimentos e emoções básicas: da inveja, medo, o orgulho, vaidade, alegria, ciúme etc. Negar os nossos sentimentos, mesmo os mais inestéticos, é negarmo-nos como pessoas. Parece-me saudável encaminharmos as nossas mais emoções básicas para o campo simbólico e inofensivo do futebol...
ReplyDeleteO que seria do seu Benfica sem o (s) seus rivais? Apesar da destruição do rival constituir a secreta e subconsciente intenção, “a batalha” sem esse adversário não faz sentido, e conduz o "guerreiro" à sua decadência ou auto-destruição.
Com amizade,
Sabe João, vou mas é ver um jogo do campeonato inglês ou espanhol, é menos perigoso, e mais barato e, tenho espectáculo pela certa, é com desgosto que digo isto, mas espero que o meu "Benfas" ganhe e bem.
ReplyDeleteUm abraço.
Este post é um verdadeiro elogio à mediocridade.
ReplyDeleteOntem ficou mais uma vez provado que os lagartos são o clube relativo. Nunca viveram, não vivem, nem nunca viverão sem ser à sombra do Benfica. Se a mediocridade vos deixa felizes…, porreiro pá.
Caro Soares Lourenço: Veja como V. aproveitou logo para desdenhar, tirar vantagem :-). Irresistível hem ? Nada como cascar num Sportinguista para um Benfiquista se sentir vivo.
ReplyDeletePor mim, nunca vou confundir o futebol com mais coisa nenhuma do que aquilo que é. E para mim não é, nunca será, uma “coisa séria”: o Benfica ou o Sporting pura e simplesmente não existem ontologicamente falando. O futebol é Circo, é uma alienação voluntária e controlada, os clubes são projecções nossas, que alimentamos e através das quais descarregamos as nossas mais básicas emoções. Se assim não for, algo está errado.
Esteja descansado, que por muitos anos V. ainda nos vão continuar a atirar à cara que ganharam mais (sempre em relação/disputa = mais do que alguém) campeonatos. Futebol também é isso, desdenhar, provocar, (sem importância suficiente para insultar ou ofender).
Ou não?
"nunca será, uma “coisa séria”: o Benfica ou o Sporting pura e simplesmente não existem ontologicamente falando. O futebol é Circo, é uma alienação voluntária e controlada, os clubes são projecções nossas, que alimentamos e através das quais descarregamos as nossas mais básicas emoções".
ReplyDeleteBem me parecia que dá nisto um duelo entre o recreativo e o desportivo locais
"O que seria do seu Benfica sem o (s) seus rivais? Apesar da destruição do rival constituir a secreta e subconsciente intenção, “a batalha” sem esse adversário não faz sentido, e conduz o "guerreiro" à sua decadência ou auto-destruição."
ReplyDeleteProvavelmente em vez de 6 milhões seríamos 10 milhões...mas isso é como a história do "Se todos gostarem do azul o que será do amarelo". Se fosse do meu clube, ficaria desagradado e tristissimo por ver que não tinha mais nada por onde pegar com uma campanha publicitária do que estar a falar dos nossos adversários (no caso o Benfica). Para o seu clube, tudo é pretexto para chamar o nome do Benfica. Parece um caso de auto-atestado-de-menoridade-porque-não-há-mesmo-mais-nada-para-puxar.
Lançam novos produtos, falam no Benfica...marcam golos falam no Benfica (entoam aquele cãntico simplesmente estúpido, ainda para mais quando o Benfica nem sequer está em campo)...experimentem começar a falar e a apelar mais ao vosso clube às vossas coisas, e percam essa necessidade de estar sempre a falar de nós.
Bem sei que colocarem-se ao lado dos grandes pode dar a ideia de quem talvez consigam vir a ser como eles. Mas digo-lhe já...para além da clara e nitida falta de ideias, ao porem-se ao lado do Grande, só mostra como vocês são pequenos.
Mas enfim...
de coisas dessas vindas do Campo Grande já todos estão habituados.
Recitando o seu parágrafo...realmente sem o Sporting o que faríamos nós? Iamos rir do quê?Nada...
está explicada e vossa existencia...