Dizem que durante o ano de 2007, enquanto a direita se auto-aniquilava metodicamente, gramávamos com mais de cinquenta horas de José Sócrates na televisão. O nosso primeiro-ministro é afinal de contas um karma nacional, um verdadeiro castigo por conta da nossa impassibilidade e insipiência. Ou não fosse verdade que um “zero à esquerda” acedeu fulminante ao poder num partido afinal com tradição e história. E que esse zero à esquerda, alcançada uma esmagadora maioria absoluta nas legislativas, vem esbanjando uma oportunidade impar de reformar o estado pelo lado que conta - o da despesa, do desperdício. Um “zero à esquerda” que malbarata a anuência tácita duma comunicação social tradicional e antropologicamente da sua cor para trabalhar patrioticamente numa regeneração estrutural do País... E que se prepara para sair pela porta pequena da história sob vaias e assobios, ódios e ressentimentos, por conta das assustadoras impopulares reformas que afinal não fez.
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O espelho de Alcácer
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O Sócrates é um chato.
ReplyDeletePonham-no a correr em África.
No meio da savana.
A falar à bicharada.
A organizar a selva com reformas às toneladas.
A baralhar todo o ecosistema (por cá chamar-se-ia coorporativismo).
Os carnívoros passam a comer ervas.
Está decretado.
Aplique-se ontem.
Será que os abutres o aplaudirão? Ou nem esses?
João,
ReplyDeleteÉ importante e meritório que nao se contente com a mediocridade. Muitas pessoas em Portugal fazem-no, mas gosto de pensar que me incluo no seu lado da barricada.
Nao é, de todo, um facto que as grandes reformas (como lhes chamou) estejam adiadas. É apenas a sua opiniao. O que é relativamente consensual é que este Governo está a mexer em áreas em que nenhum outro teve a coragem ou capacidade de o fazer nos últimos anos. E passo a citar algumas: 1) Seguranca Social: finalmente tomaram-se medidas (com impactos reais na vida de milhares de pessoas) que permitem pelo menos algum desafogo nas contas da Seg Social; acabou-se com um sem número de regimes de excepcao 2) Saúde: finalmente um Governo está a fazer um esforco sério para racionalizar os custos com a saúde, dando espaco a que os privados possam fazer parte da equacao; 3) Contas públicas (e volto a insistir): apesar da imagem de grande credibilidade e competencia de Ferreira Leite, que tb aumentou impostos depois de ter prometido o contrario, foi este Governo que devolveu a credibilidade internacional do pais, cumprindo com os critérios do PEC. E a despesa publica ja esta a cair em relacao ao PIB e acredito que irá continuar, assim que esteja concluido o programa de restruturacao da administracao publica. Vai demorar tempo, mas at+e agora nao vi nenhuma sugestao melhor de o fazer.
O que sim é um facto caro Joao é que o pais continua a atrasar-se, nomeadamente em relacao aos novos paises europeus emergentes. Assacar responsabilidades directas dessa trajectoria a este Governo é demagogia barata Joao. As razoes para este atraso sao varias. Algumas delas duvido mesmo que as consigamos alterar ou inverter (sao intrinsecas ao povo Potugues e a geopolitica de Portugal). Outras (atraso educacional, cmbate a corrupcao, diminuicao do peso do Estado na economis, reconversao da estrutura produtiva do pais, etc) vao demorar muitos anos a alterar-se.
Dir-me-a o Joao que se podia estar a avancai mais depressa. Nao duvido. Dir-me-a que o governo usa e abusa das estrategias de comunicacao e marketing. Concordo, mas tambem lhe digo que a maneira de fazer politica se alterou bastante nos ultimos anos, essencialmente pela intervencao dos media, e que para se poder levar a cabo algumas medidas é necessário dominar a comunicacao politica. Em resumo: longe de ser perfeito, este Governo tem feito bastante mais e de forma mais i intensa do que qualquer outro nos últimos 15 anos. E tem um projecto para o Pais, goste-se ou nao. E tem uma lideranca, goste-se ou nao.
Tenho ideia que isto é a opiniao generalizada de largos sectores da sociedade Portuguesa, desde os grandes empresarios aos politicos mais experientes.
Claramente o Joao nao gosta do personagem Sócrates. Não é o seu género, nao gosta das gravatas nem da pose. Perfeitamente aceitavel. Mas zero a esquerda, sinceramente, soa a mau perder. Já agora, gostava que me dissesse, nessa mesma escala, onde se situam as seguintes personagens: 1) Durao Barroso 2) Santana Lopes 3) Paulo Portas 4) Luis Filipe Meneses. Só para percebermos os criterios...
Rodrigo
Só mais uma coisa (e peco desculpa pelas repeticoes do post anterior, mas tinha escrito outro que nao entrou e depois esqueci-me do que queria dizer): é curiosa a maneira como o Joao desvaloriza as claras maiorias que Jose Sócrates teve no partido (o tal que tem historia...) e no Pais (onde ha 15 anos que ninguem o conseguia). Grande sentido democratico Joao.
ReplyDeleteRodrigo
Tenso em conta que a direita parece ainda nao ter percebido o que lhe aconteceu em 2005 (Santana e Portas estao outra vez a frente), volto a dizer-lhe: habitue-se!
Sem investimento público e com o aumento da carga fiscal até o Sr. Zé da mercearia consegue conter o deficit.
ReplyDeleteAté dá para a mama das consultorias ao Estado e para comprar carritos novos. Estas é que são as prioridades.
As reformas não estão adiadas.
ReplyDeleteSaem todos os dias em grandes quantidades. Sem conexão.Sem contextualização.Em contradição.
Por isso.
Sâo não reformas.
Não existem.
Esquecem-se que pouco se reforma assim, à pressa.
Esquece-se que a motivação para as reformas é o mais importante.
Sem isso não há reforma que resista.
Parece que quem nos governa é um grupo de teenagers.
E se eu não desejar "habituar-me"?
ReplyDeleteE se nós não quisermos "habituarmo-nos"
E se ainda houver espaço para indignação?
Prendem-me?
Uma reforma não adiada:
ReplyDeletePaulo Teixeira Pinto passou à situação de reforma em função de relatório da junta médica.
Nao que diabo. Indigne-se Homem. Vote Meneses. Vote Portas.Com eles vai ter reformas a serio. E coordenadas.
ReplyDeleteRodrigo
Caro Rodrigo:
ReplyDeleteNão sei porquê insiste em elevar Sócrates por comparação com os lideres da oposição – isso não é um argumento sério. Enquanto o deficit for controlado à conta da sobrecarga fiscal, não vejo razão nenhuma para gabarolices, porque isso a prazo é insustentável, para não dizer injusto. Finalmente, isso de que o atraso português é uma fatalidade, é um velho e medíocre argumento que promove a inércia e resignação, a favor das clientelas do costume.
Mas porque raio de carga de água eu só tenho 3 alternativas de voto?
ReplyDeleteQue falta de imaginação.
E desde quando a "democracia" acaba no voto?
Que falta de imaginação.
Será que é isto que andam a ensinar aos putos nas escolas naquela tontaria que é a "Educação Cívica"?
Caramba, pá, vareie!