Tuesday, January 8, 2008

O não de Sócrates ao referendo

Sou contra o referendo a uma matéria como a do Tratado de Lisboa e concordo que o parlamento tem toda a legitimidade para ratificá-lo. No entanto parece-me inadmissível a forma descarada e oportunista como os políticos usualmente se contradizem, conforme estão no governo ou na oposição. Consoante a feição do vento na senda do cobiçado poder.
Acontece que nem toda a gente tem memória curta. O crescente descrédito dos políticos e das suas instituições resulta num desprezo generalizado das pessoas e na consequente fragilização do sistema. O pior cego é aquele que não quer ver.

7 comments:

  1. Plenamente de acordo, João. Apesar de considerar esta uma matéria demasiado complexa para ser referendável, entendo que promessas eleitorais são para se cumprir.

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  2. Passaram 22 anos desde o tratado de Adesão,e ainda não fomos chamados,a dar uma opinião...De qualquer maneira parabéns pela vossa posição,que não sendo a favor do referendo,vê e toma posição em relação aos métodos dete governo.

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  3. Mas entre nós já se banalizou a cultura de, quase logo no dia seguinte às eleições, fazer tábua rasa das promessas, seja em que domínio for...; daí a descrença.

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  4. A questão não se prende com o governo ou com o alegado perigo de povo recusar o tratado...

    O maior problema seria simplesmente o povo decidir directamente o seu rumo, sem ser por interposta pessoas (mas isto são contas de outro rosário)..

    O problema é que, para além de uma promessa eleitoral, esta promessa consta do programa do governo, aprovado pela A.R. e que está online no site oficial do governo...

    Que raio de país somos nós que nem fazemos aquilo que todos queremos (ou pelo menos a maioria absoluta das pessoas), só porque temos medo da senhora Angela Merkel que, ao que parece, tem passado a semana a chatear o senhor Anibal Cavaco Silva por causa deste assunto....

    é triste, muito triste...

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  5. O que escreve é tão verdade que hoje o discurso do nosso PM era o "porquê de ele não considerar esta decisão uma quebra de promessa eleitoral" !...

    Quanto ao resto, é óbvio que a questão é complexa para referendo e que o orçamento associado a uma operação desse tipo podem ser muito mais bem empregues elsewhere...

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  6. Eu queria era um referendo para poder escolher entre República e Monarquia. Todo e qualquer outro referendo não me interessa.

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  7. Correto, meu caro. Deixe-me que acrescente: o pior cego é aquele que já está farto de ver...

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