Saturday, November 10, 2007

Sábado amargo

Não conheço as circunstâncias protocolares em que o Rei Juan Carlos terá mandado calar o seu homólogo venezuelano na cimeira ibero-americana em Santiago do Chile. No entanto está comprovado o cariz irresponsável e déspota de Hugo Chavez, e comprovada está a superior legitimidade dum regime democrático como o da nossa vizinha Espanha.
O mundo livre teme pelo futuro do povo venezuelano. Nós vivemos resignados à fatal e submissa realpolitik da nossa virtuosa república, em prol da qual impunemente se subjugam os mais sagrados valores civilizacionais, quantas vezes por um mero prato de lentilhas.
Mesmo assim não nos devíamos todos envergonhar com as atabalhoadas declarações de apoio a Hugo Chaves proferidas à imprensa pelo nosso primeiro ministro na sequência do incidente, numa desprezível disposição subalterna?
Para além de medíocres, teremos que actuar como cobardes?

Imagem do Sol

10 comments:

  1. Ó se fachefavor, é só para responder ao anónimo das 2:01 pm de sábado. Desde que haja uma prática constitucional (que dispensa até, como em Inglaterra, uma constuição escrita) o Rei, embora não eleito tem uma legitimidade tão firme quanto Presidente da República de um país igualmente democrático. A legitimidade advém da totalidade do sistema democrático.
    Já reparou que os juízes não são eleitos em muitas partes do mundo?
    Agora, para fazer o que o Rei de Espanha fez é preciso mais do que legitimade democrática, é preciso falta de paciência para aturar ditadorezecos malcriados e coragem para o demonstrar. E coragem é coisa que o voto não dá.

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  2. Caro anonimo das 2.01,
    Em espanha mandam os que la estao, e eles escolheram a monarquia com este monarca...
    Escolhido ou nao, o chavez nao pode chamar fascista a aznar.
    O fascismo foi um modelo politico criado nos anos 30 e seguido por dois paises europeus. A guerra civil de espanha fez com que Franco ficasse mais proximo destes fascistas, mas teve sempre a inteligencia de se manter fora da guerra (Portugal e' tambem responsavel pela manutencao da Espanha fora do conflito).
    No entanto, creio que o Aznar ate saiu beneficiado da verborreia deste atrasado mental.
    Virgilio

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  3. João, seja qual for o regime que defendemos, acho que temos que ter sempre em conta os interesses do país. Do nosso, já agora. E isto vale também para a escolha da adjectivação. Julgo eu.

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  4. Obrigado pelo seu comentário cara Cristina: Aqui não se coloca a questão de regime. O que me causou incómodo (vergonha) foram os comentários reverenciais a Chavez proferidos por José Sócrates na sequencia do incidente. De resto, NENHUMA pessoa me merece desprezo, apenas as suas atitudes. Nesse sentido a atitude do nosso primeiro ministro pareceu-me desprezível. Voltei a reler o texto, e reconheço mais claramente agora o meu latente equivoco, e nesse sentido vou editar o texto.

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  5. Está muito mais interessante assim, João. Obrigada pela atenção.

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  6. O Chavéz é imbecil e perigoso. E chamou fascista a Zapatero. O nosso Primeiro Ministro foi imbecil e, posso dizer?, mostrou a habitual falta deles no sítio. Nestes "pequenos" momentos se percebe (também) porque é que a Espanha é a nação que é e nós somos o que somos... medíocres sim, e sem tomates, também.

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  7. E o Ni não aparece em defesa de Chavéz?

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  8. Não percebi bem o post. Quer dizer que o Socrates deveria ter sido solidário com os vizinhos espanhóis, é isso? bom, é um critério diplomático, suponho eu. E seria interessante que o Socrates também mandasse calar o Chavez, já agora, em nome da solidariedade ibérica, com toda a gente na Andaluzia a gritar "torero!" Divertido, suponho, e muito colorido. Mas infelizmente, o Socrates tem mais do que pensar, nomeadamente nos interesses do país que governa.
    Sobre o "porque não te calas" do rei, é ler o que escreve o Daniel Oliveira. De facto, não é todos os dias que um chefe de estado (!)tem o topete de mandar calar outro chefe de estado. Eu acho que o Chaves deveria ter respondido ao rei qualquer coisa como "cala-te tu, ó palhaço". Seria divertido.

    Adérito

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  9. O Virgílio tem toda a razão. Insultos do Chávez só qualificam quem os recebe. O Aznar tem bons motivos para se sentir satisfeito.

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  10. Aproveito para dizer ao Adérito: Cala-te tu ó Palhaço!

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