Acompanho habitualmente os escritos do Filipe Nunes Vicente no Mar Salgado com interesse mas sem grande sobressalto. Suponho aliás que conheço bem a genealogia do seu pensamento.
Assumindo-me como um convicto pessimista antropológico, defendo o livre arbítrio e a liberdade individual como valores fundamentais, aliás como fórmula única de sustentabilidade das minhas poucas certezas. Aceito com naturalidade o risco existencial proporcionado pelo pensamento livre.
Vem isto a propósito do último post da sua refinada série ODI ET AMO, onde uma vez mais se põe em causa a relação do casal no compromisso matrimonial, aqui apelidado de relação “de longa duração”. Pergunto-me se a questão do FNV não estará habilidosamente inquinada quando este aponta como primordial motivação (aliás ironicamente hedonista) para o casamento tradicional “a garantia de uma companhia para a velhice”... Quem garante a quem uma velhice "com companhia" num casamento "para a vida"? Porque raio estará vedada ao mais intrépido pinga-amor uma companhia para o ocaso da sua peregrinação terrena? O que é que o salva de uma existência medíocre? Cuidado com os preconceitos, Filipe, que nos podem toldar a eficácia do raciocínio. Fala a experiência.
Tenho para mim que o casamento e a família decorrente são compromissos sérios, muito mais ricos e complexos do que um simples relacionamento erótico a dois. Depois, consta que essa opção (casamento) não é obrigatória! E que a felicidade decorre mais profunda das conquistas e dos prazeres diferidos do que de estimulantes e efémeros troféus narcísicos. Mas, de facto, cada um sabe as linhas com que se cose.
Assumindo-me como um convicto pessimista antropológico, defendo o livre arbítrio e a liberdade individual como valores fundamentais, aliás como fórmula única de sustentabilidade das minhas poucas certezas. Aceito com naturalidade o risco existencial proporcionado pelo pensamento livre.
Vem isto a propósito do último post da sua refinada série ODI ET AMO, onde uma vez mais se põe em causa a relação do casal no compromisso matrimonial, aqui apelidado de relação “de longa duração”. Pergunto-me se a questão do FNV não estará habilidosamente inquinada quando este aponta como primordial motivação (aliás ironicamente hedonista) para o casamento tradicional “a garantia de uma companhia para a velhice”... Quem garante a quem uma velhice "com companhia" num casamento "para a vida"? Porque raio estará vedada ao mais intrépido pinga-amor uma companhia para o ocaso da sua peregrinação terrena? O que é que o salva de uma existência medíocre? Cuidado com os preconceitos, Filipe, que nos podem toldar a eficácia do raciocínio. Fala a experiência.
Tenho para mim que o casamento e a família decorrente são compromissos sérios, muito mais ricos e complexos do que um simples relacionamento erótico a dois. Depois, consta que essa opção (casamento) não é obrigatória! E que a felicidade decorre mais profunda das conquistas e dos prazeres diferidos do que de estimulantes e efémeros troféus narcísicos. Mas, de facto, cada um sabe as linhas com que se cose.
E é por causa desses efémeros troféus narcísicos que anda meio mundo a enganar outro meio...
ReplyDeleteCaro João,
ReplyDeleteÉ muito amável. No caso em epígrafe parece-me que a sua leitura está um bocadinho ao lado.Não acho- e tenho escrito sobre isso - que o único objectivo de uma longa relação seja uma velhice amparada.Se voltar ao assunto, e se o João tive a bondade de me ler, falaremos.Talvez.
Sim, Filipe... a minha leitura focou-se justamente “ao lado” do seu brioso “hedonista”. De resto, lê-lo-ei com prazer.
ReplyDeletePela minha parte, agradeço ao João Távora ter-me dado a conhecer o Mar Salgado, que não conhecia. É um óptimo blog, que vou pôr nos meus links. Quanto à durabilidade das relações como objectivo, parece-me um critério perigoso. Uma "velhice amparada" nunca é garantida, e pode até transformar-se numa prisão, num inferno partilhado. As vantagens de uma relação de longa duração têm que assentar em razões mais sólidas.
ReplyDeleteTem piada, que li exactamente contrário.
ReplyDeleteVi que fnv já disse que a leitura que fez é "um bocadinho ao lado".
Uma forma elegante de dizer que leu errado.