Na república, o lugar da mulher do Chefe de Estado, a chamada "1ª Dama", é um tão ilegítimo como inevitável devaneio patrocinado pelos media para gáudio da turba. Definitivamente o personagem colhe e garante um bom retorno no negócio do circo mediático. Não me parece viável que um candidato a chefe de estado oculte a sua realidade familiar e afectiva. O ideal será de facto que ela promova boa imprensa e simpatia popular à instituição e ao protagonista. Quer se queira quer não, a mulher dum candidato terá sempre o involuntário poder de promover ou estorvar a sua imagem pública. Um verdadeiro berbicacho.Sendo por natureza o divórcio um penoso acontecimento do foro privado, sendo a figura do casamento alheia à instituição do cargo, indica o bom senso a um mediano jornalista que o assunto é impertinente e que extravasa claramente o interesse público.
Parece-me saudável a atitude de Nicolas Sarkozy perante a indiscreta jornalista americana. Parece-me inquietante o aparente descontrolo emocional que sobressai na tomada de posição do Presidente da República Francesa.
Ao menos as monarquias não têm esse problema. Reina Sofia? Nunca ouvi falar.
ReplyDeleteBem, a jornalista americana está antes de mais acostumada ao que se passa no país dela, em que estes detalhes todos são escrutinados até à medula.
ReplyDeleteSubscrevo o conceito, meu caro João Távora, mas não a substância integral.
ReplyDeleteAs Primeiras Damas existem, institucionalizadas ou não. Existem e têm agenda própria, mesmo sem institucionalização do cargo e das respectivas funções, como cá).
É natural, pois, que os eleitores gostem de vê-las e de conhecê-las nas campanhas dos cônjuges. Elas vão ter gabinete e ter secretariado, vão receber queixas e desbloquear situações, vão visitar obras e conhecer casos, mais um monte de coisas que não ficam no caminho dos maridos, além daquelas que até ficam.
Isto, evidentemente, quando há Primeira Dama. E se havia e deixa de haver, já se está no foro da intimidade. Por isso é que há muito desplante ao querer abordar o assunto. Afinal, quem mais quer saber disso além da jornalista (será mesmo?) da CBS? Só se forem os eleitores (serão mesmo?) franceses que compram a Revista Marie...
O mais curioso é o efeito que a presidência francesa parece ter nas uniões. Sarkozy divorcia-se, Royal separou-se. Chirac era o que se sabia e Miterrand andou a espalhar filhos por todo o lado. Que raio é que eles comem lá para o Eliseu?
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