Friday, September 14, 2007

As coisas nos seus lugares

Inveterado emocional como sou, na quarta-feira deitei-me com um amargo de boca, incomodado com a tragicomédia que foi o desfecho do Portugal vs. Sérvia. Tudo correra mal, e o pior ainda era o humilhante comportamento do treinador. Admiro quem logo no dia seguinte friamente opinou, julgou e escreveu, enquanto eu fiquei literalmente amuado. Privilégio(?) de quem não é colunista ou jornalista.
Scolari, nos dias da minha vida, foi o seleccionador que mais longe levou as cores da equipa nacional de futebol. Scolari, de facto, anteontem excedeu-se, cometendo uma argolada grave. Aborrecida para a débil imagem da minha tribo e comprometedora para os objectivos desportivos da rapaziada da bola. De caminho, a sua imagem ficou bastante chamuscada: imagino o que no dia seguinte o caçula do treinador ouviu no colégio... E compreendo que algumas marcas estejam a fazer contas de cabeça à rentabilidade da imagem do nosso ex-prazenteiro seleccionador. Ele, que afinal foi o melhor que eu conheci à frente da selecção nacional nos meus quarenta e seis anos de idade. O único que, por exemplo, com olímpica indiferença, ultrapassou os lobbies clubistas e outras máfias domésticas - com os resultados que se conhecem.
Tudo isto é uma chatice, um aborrecimento, eu sei. Mas não é mais do que isso, é futebol; e por mim, que não sou presidente da UEFA, o Sr. Scolari está mais do que perdoado. Espero que a justiça desportiva não seja severa e que ele possa voltar quanto antes a sentar-se no banco a liderar os seus rapazes. E dessa forma dar-nos mais algumas alegrias com as cores republicanas, no único uso onde ganham alguma graça. Para que no fim, seja qual for o resultado alcançado no europeu de 2008, Filipão se despeça da demanda portuguesa com merecido orgulho e dignidade.

6 comments:

  1. Apoiado!Lembro-mo do já fez pela nossa auto-estima,que,infelizmente,não tem mais onde ir buscar alimento.Das alegrias que já nos trouxe.
    Foi um momento feio,sem dúvida,mas não o crucifiquemos por isso.

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  2. P.S.A imagem é muito eloquente!

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  3. autor de comentário diz queSeptember 14, 2007 at 4:04 PM

    Scolari deu um soco para não sair em assobios. Foi um golpe de teatro para subir o melo-dramatismo da nação embandeirada (e esvaziar os resultados menos bons). É deprimente ver "a bola" a fintar toda a dita intelligentsia.

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  4. «(...)com as cores republicanas, no único uso onde ganham alguma graça(...)».

    ehehehe ... bem metida.

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  5. Plenamente de acordo, João. Parece-me, no entanto, que nada voltará a ser como dantes. A era Scolari aproxima-se do fim. E dificilmente teremos outra que nos dê tantas alegrias como esta deu.

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  6. João, não vale a pena disfarçar.
    Como este palhaço já tivemos o Oliveira.
    este chegou a inventar, depois de pintado a branco num hospital para testemunhar-se a "tentativa de assassinato por meio audiovisual", ir para o banco frente à Polónia de muletas, na Coreia. Ganhámos 4-0.
    "O único que, por exemplo, com olímpica indiferença, ultrapassou os lobbies clubistas e outras máfias domésticas - com os resultados que se conhecem"
    Ultrapassou ou criou os seus lobbies? Não manteve as vacas sagradas que quis, em vez das que prevaleciam antes? Não promoveu jogadores que quis nem fez chamadas estranhas e abstrusas como Luís Loureiro e Alex? Que resultados? Perder duas vezes com a Grécia em casa, mudando até de campo do Dragão para a Luz? Que brilho, que futebol mostrou a Selecção? Como em 1996, quando os nossos jovens de ouro ainda eram imaturos para irem mais longe? Como em 2000 com Humberto?
    Já vi que o problema, como antes detectei no Pedro, não é serem basbaques uma vez, basbaques toda a vida.
    É não terem memória até... anteontem, vá lá até há dois meses...
    Deixem-se de merdas! Ainda com a lágrima no canto do olho?

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