Wednesday, August 29, 2007

A ameaça

Os incêndios no Peloponeso, a que pela TV assistimos atónitos do sofá, devem preocupar-nos profundamente. Apesar daquela estranha língua, os protagonistas, a acção e os cenários são-nos demasiado familiares. Depois, suspeito que aquela catástrofe não ocorre em Portugal apenas por mero circunstancialismo meteorológico. Quando, perante a estatística dos incêndios em Portugal este Verão, as autoridades se vangloriam da eficiência alcançada, fico desconfiado. É fácil atirar “postas de pescada” quando as circunstâncias são favoráveis, e manda a prudência um pouco de modéstia. Que a floresta, quando arde, chamusca qualquer governo.

10 comments:

  1. Completamente de acordo caro João. Este ano está muito fácil ter um registo de incêndios do que em anos recentes... Mesmo que os aviões adquiridos continuem sem tirar as rodas do chão...
    Agora é preciso é não esquecer de pagar a promessa a São Pedro ;)
    Um abraço

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  2. O nosso governo é pobre e mal agradecido. Se este ano não houve incêndios isso deveu-se a um pequeno facto:
    A contratação de Simão Pedro, pescador israelita, conhecido por andar sempre com um par de chaves na mão e que nas últimas temporadas tinha prestado serviço noutras campeonatos incendiários europeus.

    E o ministro nem sequer a ele se referiu.
    Mal-educado!

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  3. É de facto inacreditável que não tenham tornado público o protocolo assinado entre o Governo de Sócrates e S. Pedro!

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  4. "Os incêndios que do Peloponeso assistimos atónitos do sofá?"

    - Oh! Cenário Dantesco,
    - cruzes, cruzes!

    Poderia ser o início dos lusíadas, versão "a grécia está a arder"...

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  5. Ainda bem que os incÊndios não se estão a passar cá, pois caso contrário os nossos helicópteros ser-nos-iam tão úteis quanto o estão a ser para eles - talvez estivessem a ser reparados na Madeira, em vez de nas Baleares.

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  6. Desta vez estou totalmente de acordo com o J. Távora.
    Os anos anteriores mostraram que a situação poderia acontecer também aqui. Não faz sentido todo este vangloriar-se.
    O que faz sentido é aprender com erros anteriores e prever situações como esta da Grécia.

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  7. Só mesmo quem vive enfiado em Lisboa é que não se apercebe das diferenças que têm ocorrido nas zonas florestais do nosso país.

    Eu vivo na Lousã e, costumando andar por toda a região de montanha (digamos assim), verifico muito mais limpeza em toda a área florestal, sobretudo junto às áreas de maior tráfego turístico onde o risco potencial é maior. Obviamente o facto de também estar quase tudo queimado responde 50% pela menor incidência de fogos este ano.

    Mas é necessário dar algum crédito ao trabalho desenvolvido nos últimos anos.

    E ah: não sou do PS nem aprecio este governo por aí além - mas também não sou cego.

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  8. Caro anónimo das 15.51... Desculpe lá mas disse quase tudo no fim: "Obviamente o facto de também estar quase tudo queimado responde 50% pela menor incidência de fogos este ano". Quando não há quase nada para arder, como é que podem existir incêndios em igual número?

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  9. Há muito para arder ainda, descanse! Mas que está mais limpo está. Desde 2000 que vivo nesta região e foi o primeiro ano que vi pessoas a limpar terrenos. Não sei o que se passou mas que muita gente os limpou é um facto.

    E outra coisa: este ano não houve o foguetório habitual nas aldeolas. Suponho que tenham proibido os foguetes?

    Ironizando: só por isso já merecia votar no Sr. Sócrates novamente.

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  10. Caro anónimo das 15.51,
    O foguetório já tinha sido proibido o ano passado. Deduzo que, felizmente, este ano a restrição foi devidamente cumprida.
    De aplaudir essa limpeza feita pelas gentes da região. Fosse em todo o lado assim.
    Quanto ao voto... sublinho a sua ironia. Mas não lhe atribuo (a Sócrates) tal mérito ;)

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