Monday, May 7, 2007

Sobre "O Amor"

A propósito da minha dominical citação dos evangelhos de ontem versando o mais crítico e decisivo mandamento de Cristo, recebemos na caixa de comentários várias “bocas” mais ou menos anónimas, entre elas esta belíssima intervenção de Joshua:

O amor hoje é um conceito esvaziado: está demasiado associado ao prazer para representar a mais elevada forma de olhar cada ser humano com que nos cruzemos, nele reconhecendo a dignidade de criatura e de filho amado de Deus assim como sede de uma Promessa de eterna comunhão na glória n'Ele.
O amor é hoje uma subtileza rara e um conceito conspurcado: implica a arte de ser pequeno, autêntico e simples, mas funciona segundo uma lógica de paladar, tacto, consumo, desaparecendo nele a dimensão de generosa festa serena feita de encontro e densa integridade.
Remontar à pureza dos conceitos faz-me sonhar com banhos de Latim, Grego e Aramaico, para que as distinções se façam e se descubra a frescura de palavras como estas citadas, tão cruciais, e no entanto aparentemente banalizáveis com as cunhagens modernas superficiais.
Abominar a tirania, a violência, a oprimência seja em que contexto for já será um bom começo para o que nos devemos uns aos outros.

6 comments:

  1. Bela intervenção. Espero que nas abominações se inclua o dogma, que é a tirania das ideias.

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  2. E se o amor hoje tem esses defeitos todos, no passado não tinha nenhuns? A mulher oprimida, os casamentos por obrigação, a vergonha do divórcio, essas coisas todas, alguém aqui ouviu falar?

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  3. O Amor continua vivo até no mundo frio dos negócios.
    Veja-se os recentes casos Paul Wolfowitz do Banco Mundial e Lord Browne da BP.
    Amor a quanto obrigas...

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  4. Sugiro, ainda:

    Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye,
    Amore , amour, meine liebe, love of my life.
    Se o nosso amor findar,
    Só me ouvirás cantar,
    Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye,
    Amore , amour, meine liebe, love of my life.
    Este amor não tem grades, fronteiras, barreiras, muro em berlim,
    É um mar, é um rio,
    É uma fonte que nasce dentro de mim.
    É o grito do meu universo,
    Das estrelas p'ra onde eu regresso,
    Onde sempre esta música paira no ar.
    Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye,
    Este amor é um pássaro livre,
    Voando no céu azul,
    Que compôs a mais bela canção deste mundo de norte a sul.
    E as palavras que eu uso em refrão,
    Fazem parte da mesma canção,
    Que ecoa nas galáxias da minha ilusão
    Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye,
    Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye,

    Bonito!

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  5. Para quem acredita em Deus, para quem tem fé, trata-se de uma intervenção belíssima.
    Eu fico apenas com o último parágrafo.Já é um ponto comum, o que não é mau.

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  6. Qualquer solução que envolva o fatal "antigamente é que era bom" , de preferência com línguas mortíssimas à mistura, merece a minha mais total desconfiança. Peço desculpa, mas sonhar com aquilo que se desconhece como substituto para o dia-a-dia que espera pela nossa atenção e pela nossa dádiva, a mim parece-me pura perda de tempo e descarada falta de coragem e generosidade. Por acaso, era LATIM que se falava nalgumas das orgias mais elaboradas do planeta!

    Amor antigamente? E que temos nós a ver com esse amor? Para nós,o amor é HOJE, AQUI,ou não é! Porque é AQUI e AGORA que vivemos. O resto, é apenas literatura.

    Maria

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