Friday, December 8, 2006

Uma cidade em ruínas

Ontem, na rua onde trabalho, um enorme aparato rodeava o prédio logo abaixo, com bombeiros, protecção civil, televisão, repórteres e mirones. É apenas mais um prédio do início do século XX a cair de podre. Um caso entre centenas de outros em Lisboa, fruto da paralisia do mercado de arrendamento e especulação imobiliária.
Nalgumas cidades europeias, as autoridades preocupam-se com os imprevisíveis ataques terroristas. Já os lisboetas, cercados por autênticos “castelos de cartas” em betão, rogam secretamente à clemência dos elementos para que não despertem um dia para uma verdadeira tragédia.
Prédios em ruína deprimem-me. São sinais explícitos de morte numa Lisboa cada vez mais deserta e decadente. Uma enorme dor de alma.

6 comments:

  1. Exactamente assim, caro João. Lisboa tem milhares de prédios nestas condições. Um problema que nenhum Governo e nenhuma câmara tem conseguido resolver.

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  2. Tem razão João. Quando chove muito como ontem à noite, penso nisso.
    Uma cidade deserta no centro e atafulhada nos suburbios. Até aqui onde eu moro. Cheio de gente, prédios, onde umas sumidades do urbanismo, estúpidas, transformaram um bairro habitacional em zona de atravesamento.
    Zonas antigas com liceus a fechar e bairros recentes com excesso de alunos.Enfim..

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  3. Uma coisa que eu ainda não percebi: a CML é o maior proprietário de prédios devolutos (e arruinados) em Lisboa. Por que não os recupera e pões a arrendar?

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  4. Um amigo do amigo com sorteDecember 8, 2006 at 7:05 AM

    Se foi nas imediações do Saldanha, um amigo meu escapou por segundos...

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  5. Comparando o movimento, a animação e o estado dos edifícios nos respectivos centros e "baixas", posso-lhes dizer que no Porto a situação é ainda pior.

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