Thursday, December 14, 2006

Todos diferentes mas todos parados

Hoje, excepcionalmente, levei a viatura para Lisboa, o que significou um autêntico martírio para mim e para o meu carro, que já tem uns aninhos. E como se eu estivesse de fora de toda esta história macabra, apercebi-me do patético que é este ritual diário. Esta soberba quantidade de trânsito, com toda a espécie de carros e de gente, incluindo as mais sofisticadas “bombas”, automóveis caríssimos, marcas de luxo em procissão quase parados durante horas.
Irónico mesmo foi na última etapa do calvário, descendo a rua Castilho (toda ela com estacionamento em segunda fila), constatar um companheiro de infortúnio atrás de mim. O homem, irado, buzinava vociferando contra o seu cruel destino, fechado dentro do seu carro milionário, daqueles americanos e enormes que parecem ter dentes e expressão de zangados. Apesar de exausto, ainda sorri, mas o fulcro da questão não tem mesmo graça nenhuma. É que o caos urbanístico da Grande Lisboa e os milhares de carro-dependentes proporcionam um autêntico bloqueio nas estradas e acessos à capital que todos pagamos em poluição e em baixos índices de produtividade.

9 comments:

  1. Eu uso sempre os transportes públicos.

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  2. O Calvário ainda fica longe da Rua Castilho, este blogger não deve mas é conhecer bem a capital.

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  3. E o homem não iria a vociferar mas era por não ter, a essa hora matinal, encontrado ninguém de serviço no Parque Eduardo VII?

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  4. ...ou então sentia-se REVOLTADO com a cooperação estratégica entre o Presidente da República e o primeiro-ministro.

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  5. Nem mais, João. Excelente reflexão.

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  6. Os burgueses e os maltezes andam de carro às vezes.
    PS: o calvário que o homem fala é outro, não é o Calvário de Alcântara.

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  7. Usem os transportes públicos. Ou passem a cobrar uma taxa para os habitantes de Lisboa que trabalham num raio de KM's pequeno a partir do sítio onde vivem. Assim irão adoptar pelos transportes públicos, e pode ser que com a aderência que o preço dos transportes baixe nas grandes cidades.

    P.S. É preciso haver autocarros suficientes e em condições. :)

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  8. Uma melhor rede de transportes públicos pode ser parte da solução, mas os viciados em trazer o automóvel para a cidade, só para mostrarem que têm automóvel e armarem aos cágados, vão continuar a faze-lo. Disso ninguém tenha dúvidas.
    O Túnel do Marquês... Balelas. Pode facilitar a entrada na cidade mas não impede o afunilamento dentro das principais artérias da mesma.
    Resta saber como irão reagir os condutores quando forem impostos os novos preços de estacionamento, já aprovados pelas autoridades competentes.
    Mesmo assim, pelo menos ao início e ao fim de cada mês, quando a populaça ainda tem euros a mais na carteira, acho que o trânsito em Lisboa tende a continuar num caos.

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