Ontem aguentei estoicamente em pé quase duas horas de mais uma inevitável (e interminável) festa de Natal do colégio da minha filha pequena. Durante o garboso evento os meus sentimentos balançaram entre o desespero provocado pelo calor e pelo cansaço, e a comoção de pai babado. Várias vezes durante a festa fui diabolicamente tentado a pedir à minha mulher, grávida de sete meses, que me cedesse o lugar por uns minutos. Mas aguentei-me como um Senhor. No final, enquanto as mães trocavam intermináveis palavras de circunstância, e eu, já ansioso, vestia o casaco à miúda, uma insolente amiguinha sua perguntou-lhe… se eu era o seu avô! O coração caiu-me ali aos meus sacrificados pés.
Foi então que, por vergonha, desisti da intenção de repousar um pouco, discretamente, numa cadeira ao canto. E resisti ali, bem vertical, enquanto duravam as intermináveis despedidas das amorosas senhoras mães. Velhote sim, mas enxuto e orgulhoso!
Foi então que, por vergonha, desisti da intenção de repousar um pouco, discretamente, numa cadeira ao canto. E resisti ali, bem vertical, enquanto duravam as intermináveis despedidas das amorosas senhoras mães. Velhote sim, mas enxuto e orgulhoso!
Ó João
ReplyDeleteEntão não sabe como as crianças podem ser cruéis?? :)
Cruéis, mas verdadeiras.
ReplyDeleteA termos filhos cada vez mais tarde, qualquer dia os miúdos deixam de saber o que é isso de avô...
ReplyDeleteLembra-me o "Brilliant" de Paul Whitehouse... "What old people are.. is young people who've been around for a really long time. Like years and years..."
Sim, porque desagradáveis já cá estamos nós, os adultos.
ReplyDeleteQuanto à crueldade das crianças é bem verdade Misspearls. Verdadeiras nem tanto. E gosto da definição de Paul Whitehouse que aqui trouxe o L Rodrigues…
ReplyDeleteJá me aconteceu, com um padre, a perguntar se andava a passear o netinho.
ReplyDeleteExcomunguei-o!
Festas de Natal. Todos os anos o mesmo tema, as mesmas histórias, as mesmas encenações. Não fosse a existência de quem de mim depende, eu não existiria em nenhuma!
ReplyDeleteA idade não perdoa...
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