Friday, December 22, 2006

As causas dos homens "perfeitos"

Pela sua pertinência e lucidez atrevo-me a transcrever em baixo um excerto da coluna de Vasco Pulido Valente no Público de hoje.

«Na Inglaterra e na América é politicamente incorrecto, e hoje quase criminoso, festejar o Natal. Porquê? Porque, celebrado com tanta exuberância, o Natal se arrisca a ofender (ou a convencer) os crentes de religiões minoritárias, sobretudo, claro está, os muçulmanos. Mas como não se pode proibir o Natal, coisa que decerto os puristas gostariam de fazer em nome dos direitos do homem, a ortodoxia política tem por enquanto de o camuflar. Isto obriga naturalmente a algumas contorções verbais, a muita hipocrisia e a uma boa dose de intimidação. A "árvore de Natal" passou a "árvore da amizade" e o "jantar de Natal" a "jantar do solstício de Inverno". Os "cartões de Natal" são agora também "cartões da estação" e o "Bom Natal", suponho, "Boa Estação". Nos países católicos, como Portugal, esta espécie de purga ainda não começou. Mas cá chegará, com o atraso e o zelo do costume. Entretanto, mesmo aqui, o totalitarismo (e uso a palavra deliberadamente) alastra sem sombra de protesto.
(...)
Não existe a menor diferença entre a actual ortodoxia "bem-pensante" e o jacobinismo ou o comunismo clássico. É a velha ambição de criar um homem racional e perfeito pela força política. Não por acaso os "marxistas" de ontem prosperam neste novo mundo. A tolerância sempre foi ou já se transformou em intolerância e há lugar para milhões de polícias. »

Vasco Pulido Valente - Público 22 de Dezembro 2006

7 comments:

  1. Há dias(12 de Dezembro),Miguel Castelo-Branco escreveu um texto sobre o mesmo tema,"O medo que chega",partindo de um artigo do Prof.Pires Aurélio no DN.
    De concessão em concessão,parece que caminhamos para o esvaziamento da nossa cultura...

    ReplyDelete
  2. Eu sempre pensei que o Bush e o Blair são mas é comunistas camuflados e, além do mais, grandes adeptos do clube dos jacobinos.

    ReplyDelete
  3. Eu sobre isto, só acho duas coisas :

    - uma é que é pena que o casal Constança-Vasco repita a cena de, cada um com o seu estilo, escreverem sobre o mesmo;

    - outra é que há nisto tudo um despropositado alarmismo pois ninguém tem força para modificar tradições tão enraizadas e a que alíás cada um dá a interpretação e a vivência que quer; assim, todos os perigos e ameaças que enfrentamos fossem deste tipo; aliás dos perigos e golpes reais que estamos sofrendo com a política deste governo falam muito pouco os comentadores que andam sempre na babugem de uns temas da «moda».

    ReplyDelete
  4. Francamente fora estes dois só vi o Pedro Lomba e a Sky News levantarem este alarme e curiosamente fizeram-me lembrar a campanha do padre da minha aldeia contra a árvore de Natal e a favor do presépio, anos atrás. Um conservador é um conservador, é um conservador.

    ReplyDelete
  5. "De concessão em concessão,parece que caminhamos para o esvaziamento da nossa cultura..."

    Não me parece que haja propriamente concessões. O que há é que alguns senhores de ideias muito pós-modernas vêm tentar pribir tradições culturais enraizadas sob pretextos idiotas e normalmente falsos. Mas não acho que a médio o longo prazo os seus exemplos frutifiquem. As reacções a estas pequenas paranóias, inclusivamente de pessoas de "outras crenças", são a prova de que pouca gente está disposta a que a tomem por parva.

    ReplyDelete
  6. cinderela-dos-pes-grandesDecember 27, 2006 at 4:20 AM

    A mim parece-me que é tudo muito básico e simples: "season" em vez de CHRISTMAS alarga o leque de potenciais compradores de prendas e de greetings variados... Ao fim e ao cabo, os cristãos genuínos serão minoria neste superpovoado planeta!

    É tudo uma questão de mercados: SEASON alarga o mercado potencial... CHIRSTMAS diminui-o.

    É, mais uma vez, a sofreguidão do lucro a comandar a nossa civilização. Cavando a nossa sepultura, se calhar?... Se assim é, merecemos, sem dúvida!... :(

    ReplyDelete

O espelho de Alcácer

O ruído da espuma dos dias nos noticiários cansa-nos, avassala-nos e, não raras vezes, anestesia-nos a alma. Por isso, a nossa primeira reaç...