Tuesday, December 12, 2006

A honestidade intelectual e o respeitinho

A esquerda e a direita de facto existem e, na sua fórmula moderada e racional, encontram-se normalmente ao centro da vida real. Sim; o povo de esquerda e o povo de direita têm ambos os seus esqueletos nos armários e os seus tabus. Personalidades, mais ou menos perversas ou incompetentes, que à boleia das suas ideologias ou causas conduziram politicas extremadas, cometeram erros estratégicos e proporcionaram trágicos desfechos. Por exemplo, hoje, a direita responsável não pode deixar de afirmar o seu incómodo com a estratégia e as politicas internacionais canhestras seguidas pela administração Bush. Já a esquerda deveria assumir séria apreensão para com o deficit de sensibilidade democrática de Hugo Chavez, já para não falar do trágico e hediondo Fidel Castro. De resto, é olhar sem preconceitos a história e seus protagonistas para humildemente percebermos que ambos os lados da “trincheira” têm razões para corar de vergonha. E que o ar apenas será respirável enquanto imperar o equilíbrio e a razão.
Daí que, quando nos posicionamos num dos campos da contenda, por imperativos sociológicos ou culturais, se torna urgente o uso da honestidade intelectual na análise dos factos e dos protagonistas. O risco é o de promovermos organicamente o crime, a impunidade e a repressão, com o prejuízo para as vítimas e para o lento processo civilizacional. Princípios são princípios e contam para os dois lados. O respeitinho é de facto fundamental.

8 comments:

  1. O ar está respirável só quando não há na vizinhança quem sofra de flatulência...

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  2. Quem gosta do Chávez é o tio Soares, não sou eu.

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  3. Não se meta com aquela gente Sr. Távora.

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  4. "...ambos os lados da trincheira têm razões para corar de vergonha"-completamente de acordo!!!

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  5. Eu acho que esta da honestidade intelectual é muito bonita, mas é a primeira coisa a cair... A direita estaria confortável com a sua "guerra de civilizações", desde que sentissem que estavam a ganhar. E Bush seria um herói e não o idiota que agora todos reconhecem.

    E Chavez é uma figura longe de ser consensual, com o seu estilo, e a sua "determinação" em manter o país no caminho que crê melhor. Poderá vir a pôr em causa a democracia na Venezuela? É possível. Mas enquanto o povo o eleger, em eleições que se reconheçam limpas, não é por aí que lhe pegam.
    Populismo? Como não ser populista quando se tenta resolver os problemas de 70% da população? Que dizer de uma região que tem sido o quintal de uma superpotência e procura agora ser dona do próprio destino e reorganizar-se socialmente? Não tem o direito de procurar o seu caminho? Mesmo com erros?
    Ou é preferível fazer como dizia Kissinger e "salvar" os venezuelanos das suas decisões?

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  6. Concordo com a concordância da Cristina Ribeiro, e o trecho que citou do teu excelente post, João. O problema é que, para além de, que eu saiba, eu, tu e presumivelmente a Cristina, cada um tem os seus ditadores de estimação. E vemos uma esquerda que julgaríamos responsável defender o Fidel e uma direita que diríamos responsável defender o Pinochet. Mas será que tomar partido implica desligar a inteligência?

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  7. Caro I. Rodrigues,
    Não percebi se estava a falar de Chávez ou de Alberto João Jardim!

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  8. Caro Rui Castro,
    Não sei se está apenas a brincar ou a ser intelectualmente desonesto.

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