Friday, October 27, 2006

Sinais dos tempos

Eu fico chateado, lá isso fico: a “festa” do Halloween está aí para ficar. Entre os miúdos definitivamente já faz parte do calendário. Suspeito até que a minha filha pequena, orgulhosa, na terça-feira vai construir e trazer do colégio uma máscara “horrenda”. Comigo surtirá por certo todo o feito. É que eu fico (secretamente) horrorizado com estas invasões “barbaras” dos “S. Valentins”, das “bruxas” e quejandos. No restaurante aqui em baixo já anunciam uma ementa temática para a celebração. O “consumidor” integrou a nova “tradição”?
Experimente-se sondar numa escola do 2º ciclo os significados atribuídos às datas 31 de Outubro e do dia seguinte (dia de Todos os Santos)…
São os danos colaterais da implacável e liberalíssima globalização.
E qualquer dia ainda escrevo sobre a aberração do anafado Santa Claus que hoje, qual insaciável Narciso, abancou definitivamente nas palhinhas dos nossos presépios…

6 comments:

  1. Money makes the world go around.

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  2. Eu fico chateado, também fico chateado, e por um motivo ligeiramente distinto. É que para uma coisa ter algum valor não pode ser vulgar e quase quotidiana. Se volta e meia há pretexto para uma festarola qualquer, isso quer dizer que as festarolas deixam de ter significado: deixamos de as «antecipar» e deixamos também de nos lembrar delas.

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  3. What goes around, comes around... Não há aldeias transmontanas que preservam uma noite de bruxas por esta época do ano?
    Tenho quase a certeza de ter visto qualquer coisa dessas na TV no ano passado... Será a "noite da cabra e do canhoto"? Em que se faz uma fogueira com madeira roubada...

    Enfim...
    Isto é o mercado livre a funcionar: cria-se uma necessidade que não havia, e como os consumidores não são agentes perfeitos, são apenas humanos, fazem escolhas estúpidas.

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  4. Subscrevo.
    Que é feito do "Menino Jesus", dos presépios, do "Dia de Todos os Santos" ou "de Finados"...
    Agora é isto, um asqueroso Halloween importado, um Pai Natal -ou Santa Claus - inventado pela Coca-Cola...
    Não sou anti-globalização, muito pelo contrário, mas penso que ela é compatível com a manutenção de identidades culturais.
    Esta aculturação e diluição das identidades é o lado mais perverso da globalização.

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  5. Estou solidário com os posts anteriores,estamos a perder a nossa identidade,fruto desta globalização desgraçada.

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  6. Plenamente de acordo. Acrescento ao seu desabafo um outro: Como é possível em pleno mês de Outubro já entrever nalgumas montras motivos de Natal?! Escandalosa, esta distensão até ao absurdo da quadra natalícia. Tudo(como tb essas tradições importadas que acabou de referir)determinado por imperativos comerciais. E nós, obedientes consumidores, alinhamos em tudo.

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