Na luta pelo poder, o PRP destruíra o inegável liberalismo da Monarquia. A Republica, longe de ser “democrática” (…) sobrevivera graças ao terror popular. (…) para lá da retórica oficial, estabelecera na prática uma ditadura de massas. Vasco Pulido Valente - O Poder e o Povo, 1976 - Edição Gradiva 2004
Não entendo uma razão para a festividade do dia de hoje (onde, quem?), a não ser a celebração dos 863 anos do Tratado de Zamora.
Conhecemos, pela história dos últimos anos da monarquia liberal, como foi brutalmente gizado o assalto ao poder por uma minoria urbana do PRP, com o apoio de uma espécie de grupo terrorista, a Carbonária Portuguesa. E conhecemos bem o ciclo caótico e arbitrário que caracterizou a ditadura popular entre 1910 e 1926. Ignorar isto é, como se diz hoje, branquear um crime histórico. Mais, a implantação da república em Portugal resultou em dezasseis anos de estagnação económica, repressão e caos. Dessa forma abriram-se as portas ao regime de Oliveira Salazar, e à história e frustrações que tão bem conhecemos.
Após 96 anos de tantos equívocos, branqueados pela ignorância e cobardia, parece-me que os fundamentos da república se baseiam ainda hoje em ancestrais e recalcados “complexos” sociais. Um enorme entrave ao desenvolvimento e progresso do nosso país.
Por tudo isto, a minha festa será outra.
O anonimato, de facto, deve ser uma virtude muito "republicana". Eu, que não sou monárquico, acho que ler "O Poder e o Povo", do Vasco Pulido Valente, é uma excelente forma de comemorar o 5 de Outubro.
ReplyDeleteO anonimato, uma virtude republicana?
ReplyDeleteO comentário "monárquico" das 5:37,é anónimo.
Sou republicano por exclusão de partes, isto é, porque não sou monárquico, mas, sobre aquela república, subscrevo integralmente as tuas palavras, João...
ReplyDeleteIlustre jornalista Duarte Calvão
ReplyDeleteO meu comentário anónimo das 7:20 referia-se ao post e não à boçalidade jacobina de um tal candido dos reis.
Como sabe no vosso blog os comentários são previamente censurados e demoram imenso tempo a ser colocados (quando o são), logo não poderia imaginar que me calhava suceder a tão sinistra figura.
Lamento que lhe tenha faltado perspicácia, assim como lamento que me tenha misturado com o troglodita anterior.
A boa educação, tal como a perspicácia, não são exclusivos republicanos ou monárquicos.
o-anónimo-outra-vez-anónimo
Peço então desculpa ao ilustre anónimo das 7.20, mas realmente, nestes casos, é melhor especificar o que se aprova ou não. Nós realmente censuramos os posts (com a demora que isso, já que temos outros afazeres, por vezes implica), mas apenas para evitar que haja insultos, insinuações torpes e outro tipo de baixezas que, na maior parte das vezes, nem seuqer se dirigem a nós, mas sim a outras pessoas que não têm culpa nenhuma que os corta-fitas andem a escrever sobre elas. Mas nunca para evitar opiniões contrárias às nossas que, desde que bem educadas, são sempre bem vindas. Como, aliás, é o seu caso.
ReplyDeleteBom, deixando as quezílias de lado: então e o (mau) papel de D. Carlos I no agonizar da monarquia, ao apadrinhar o governo ditatorial de João Franco? Estava a fazer a cama em que se deitou, pois a sua popularidade, que já não era muito famosa, deu mais uns trambolhões. E logo numa época em que não se "compunham" sondagens...
ReplyDeleteA propósito: o processo de investigação sobre os meandros que envolveram o regicídio foi arquivado ainda durante o reinado de D. Manuel II! Mudam os regimes, mas há coisas que nuncam mudam.
Desculpas aceites e não se fala mais no assunto.
ReplyDeleteo-anónimo-outra-vez-anónimo
Caro Anónimo genuíno:
ReplyDeletePelo que me tem sido dado a conhecer, os revolucionários do PRP e da CP. terão utilizado as virtualidades da monarquia liberal e democrática, antes de João Chaves e depois de 1908 para sistematicamente minar e conspirar deslealmente contra o regime.
Muito bem, João – um post certeiro, curto e escrito no dia que o merece. Um outro equívoco é a hegemonia dos intelectuais comunistas e pró-comunistas nos anos duros da dita represssão fascista. Basta folhear os jornais da época, conhecer o movimento das editoras e das galerias de arte, dos ateliers dos arquitectos. Mas claro, as mitificações são preferíveis. Todavia, hoje, o Júlio Pomar do mais ácido neo-realismo trabalha sobretudo para bancos e fábricas de relógios, enquanto tem o desplante de pedir à CML a compra dum edifício contíguo à sua casa para fazer uma fundação. Já um capitalista fazia uma fundação benemérita e pronto. Ou não?
ReplyDeleteO candido dos reis parte do princípio que eu penso da mesma forma e fui forjado da costela do meu avô João Ameal e que não tenho a minha própria visão da história e, no caso que refere, do Salazarismo. Numa coisa o meu avô tem toda a razão e vem sendo provado nestes 96 anos de é que a républica é de facto o reino da desordem. No resto parece-me que o candido dos reis é um pequeno-burguês complexado e preconceituso. Passe bem pois o candido dos reis.
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