Wednesday, October 18, 2006

A traulitada geral

Devo ter entendido bem: sobre o debate da despenalização do aborto que se vislumbra, para já, temos os hipócritas e os outros. Estes e aqueles vão iniciar uma desgarrada batalha retórica de onde ninguém sairá impune.
Para lá da mulher e do bebé desfavorecidos pela má fortuna deste capitalismo hedonista, que todos construímos e do qual todos somos cúmplices, o debate sobre a despenalização do aborto que se avizinha parece rumar rasteiramente para a demagogia, para os processos de intenções e para o insulto gratuito. O circo vai começar, eu já vi este filme, e confesso que não me apetece nada.
A traulitada geral que se avizinha funcionará como arma de diversão, e o governo de Sócrates por um curto período reconquistará a sua esquerda natural. E eu que não tenho nada a ver com isso, hesito agora em cavar a minha trincheira.
Mas o que me apetece é emigrar.

10 comments:

  1. Caro João

    Para além do alarido habitual,parece-me ser um debate fundamental para o bem estar desta sociedade.

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  2. Caro João,
    Como sabe o seu contributo é fundamental. E como monárquico que se afirma (ainda estou para saber como é que é possível alguém se dizer monárquico! :-)) tem de ir à luta.
    Um abraço

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  3. Confesso que também já não tenho paciência pra o que está para vir.

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  4. Não se afobem: não tarda muito e volta o referendo sobre a regionalização!

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  5. A Igreja Católica não vai fazer campanha contra a despenalização do aborto, por considerar que este «não é um assunto religioso». A posição foi assumida esta terça-feira por D. José Policarpo, o cardeal patriarca de Lisboa, garantindo que a Igreja não vai fazer do aborto uma questão eclesiástica.

    (PortugalDiario, 27/09/2006)

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  6. Não foi aquilo que o porta voz da conferencia episcopal disse ontem à RTP onde assumiu que a Igreja iria dar"indicações claras aos católicos sobre o sentido de voto"

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  7. O aborto já é legal, chama-se Sócrates...

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  8. Porque é que não chamam os bois pelos nomes?
    Portugal é ou está cada vez mais a tornar-se um país de promíscuos. É natural que num país de promíscuos, haja leis que desresponsabilizem as pessoas das suas responsabilidades.
    É natural que num país de promíscuos, as pessoas, ao invés de criar mecanismos que permitam às mulheres que não tem condições para terem os seus filhos em boas condições, lavem as suas mãos do problema.
    Vida é Vida. Numa sociedade justa e responsável, nem haveria leis sobre o aborto porque isso nem passaria pela cabeça das pessoas. São tempos tristes estes em que vivemos em que se faz de VIDAS HUMANAS assunto de debate e guerrilha política. E o que é mais dramático é que, no fundo ninguém está, de facto a pensar nas mulheres. A palavra chave é "desresponsabilização". As pessoas em geral e os governos portugueses de há anos para cá são de uma cobardia que não é característica de portugueses. Esta questão e a forma como é tratada faz-me sentir vergonha de ser tão português como pessoas do calibre de Sócrates e da sua amante que é, como se sabe, a principal figura impulsionadora (nos bastidores) deste nojo. Estamos portanto, caros con-cidadãos, nas mãos de uma ditadura mesquinha, promíscua e disfarçada.

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  9. E o pior de tudo é que ninguém vai explicar a quem ainda não percebeu que o que está aqui em causa é a despenalização do aborto e não a defesa do acto em si.

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  10. Pode compreender-se a atitude de quem já está cansado deste assunto e sem paciência.
    Mas, como já alguém aqui escreveu, nem a emigração nem a abstenção resolvem seja o que que for.
    Infelizmente, os defensores do referendo - tipo PS e BE - não perceberam uma coisa que foi nítida em 1998: ou seja, podem ser uma minoria , mas a verdade é que muitos cidadãos lidam mal com este assunto, sentem-se divididos interiormente e não acham bem que os deputados lhes passem a batata quente para as mãos.
    Nunca mais me esqueço que há oito anos, depois do resultado, salvo erro,o «Independente» trouxe uma série de depoimentos de abstencionistas a explicar porque não tinham ido votar.
    E olhem que não eram pessoas propriamente do «povo simples». Se não me engano, incluiam o Herman José, o Miguel Sousa Tavares e a Margarida Marante e todos preferiam que a AR tivesse resolvido o assunto em vez de os meter ao barulho de terem de decidir um voto na matéria.
    Só achará isto estranho os que - como os do PS e o pessoal «radical-chic» do Bloco - ainda não perceberam o melindre e delicadeza deste assunto na cabeça de uma parte dos eleitores.
    Mas insisto: emigrar ou abster-se em vez de responder sim será, objectivamente, ajudar à vitória do não.

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