Eu trabalho (com entusiasmo) para uma grande “marca” nacional. Esta empresa foi fundada nos anos 30 pelos senhores Cardoso e Machaz, dois irredutíveis beirões, que com a sua coragem, esforço e empreendedorismo granjearam ao seu projecto uma inegável reputação internacional, hoje símbolo de uma “escola” e “produto” de sucesso em Portugal.Agora, já não gosto da ideia de chamar “marca” a um clube de futebol. Eu percebo a ideia, e porventura é até bem razoável. Mas não gosto, não fica bem; é uma questão estética.
A relação de um adepto com um clube de futebol é normalmente um razoado de afectos, que atribuem um estatuto quase místico ao seu clube de eleição. Assim, com esse toque de mágica, o espectáculo de 25 galfarros atrás de uma bola, com meia dúzia de tácticas e regras mais ou menos básicas, ganha um sentido quase superior. Um clube de futebol não é com toda a certeza uma entidade metafísica. Mas é uma paixão, uma ilusão benigna, não compatível com os conceitos materialistas e empresariais de Marca, Produto. Que os clubes sejam geridos como empresas, com competência e racionalidade, rumo ao sucesso, claro que sim!
Mas nessa relação única de adepto, não nos matem o sonho. O meu clube não é uma marca. É o Sporting.
E os árbitros «que são três» também são galfarros a correr atrás da bola?
ReplyDeleteE o merchandising? Já alguém ouviu falar disso e da importância que tem nas contas?
ReplyDeleteSim caro Baralhado.
ReplyDeleteOs três árbitros de campo correm atrás da bola. Mas contra ninguém, insisto. Há um outro árbitro (chamado quarto arbitro) que está fora do campo e que não corre atrás da bola, por isso não contei com ele.
Espero que esteja esclarecido!
Pois, eu devo estar a ver mal.
ReplyDeleteNão admira, deixei há muito de ir à bola e não tenho Sportv.
Caro João
ReplyDeleteAh! Como vai longe quando íamos "ao campo,ver um jogo da bola",caramba que saudades!
Um abraço
Mas hoje em dia tudo pode ser marca. Até Portugal.
ReplyDeleteHá-de chegar o dia em que as quinas da bandeira serão substituídas pelo logotipo da Coca-Cola, ou da Adidas, ou da Microsoft. Bastará levar o povo a acreditar que isso "criará riqueza e aumentará a competitividade" de Portugal no estrangeiro.
No nosso país tudo é possível.
Esperamos que ninguem se lembre de fazer um "naming" a Portugal. "Portugal Vodafone", "Coimbra CGD"... SOCORRO!!!
ReplyDeletepois, como foi o Glorioso Benfica que foi reconhecido como marca de prestígio ao invés de FCP e SCP (que também se candidataram...) a distinção já não interessa... Pois bem, para continuar a ser uma relação de afecto entre adeptos e equipa, é necessário bons jogadores e logo dinheiro. E para se ter dinheiro convém apostar no marketing e vendas como fonte alternativa (ou não) de receitas. Por isso marca de prestígio e marketing não são incompatíveis com os velhos sentimentos de fervor clubístico, são apenas complementares e cada vez mais necessários...
ReplyDeleteCaro João:
ReplyDeleteApenas por curiosidade, gostava de saber o que faz. Sou neto de Joaquim Machaz.
Abz,
Salvador
Caro Salvador:
ReplyDeleteTrabalho na direcção de Marketing da cadeia Tivoli, como Relações Publicas (responsável pela comunicação). Entretanto estou de partida (a partir do mês que vem) para novos desafios.
Abraço,