Saturday, July 29, 2006

Saudades do "nosso" Maestro

Estou chocado. Morreu hoje aos 79 anos o Maestro Jorge Machado de quem eu era amigo e admirador. Tocava piano no hotel Tivoli Lisboa há quase quarenta anos, coisa que considerava “um trabalho prazenteiro”. Quase sempre notava-se bem o prazer com que o que fazia.
Às vezes, no Terraço, tocava para mim Grappelli, Lloyd Webber e Bach. Depois, conversávamos muito sobre música. Sobre “o apreciar” desta divina arte. Sobre a vida dos músicos, sobre o seu teatro musicado e os seus musicais. Eu sempre lhe ia dizendo, não sem uma ponta de inveja, que nós, "os melómanos", éramos uns privilegiados, pois gozávamos com infinito prazer do valoroso trabalho dos grandes músicos, quase sempre “da poltrona” e com tão poucos incómodos. Ele ria-se. E agradecia sempre (não sei bem o quê).
Eu é que lhe ficarei para sempre grato por me ter tocado tanto com a sua simpatia e música no meu coração.

6 comments:

  1. "Tocava piano no hotel Tivoli Lisboa há quase quarenta anos, coisa que considerava “um trabalho prazenteiro”. "

    Conheci-o, exactamente no hotel. Fiquei impressionado que já o fizesse há muito tempo. Foi há uns 20 anos.

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  2. Eu ouvi-o no Hotel Mundial, que tem uma das salas de restaurante com melhor vista em Lisboa. Inesquecível.

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  3. Conheci-o no Stuart Bar - será que ainda existe? - na companhai, entre outros, de François Craenhals. recordámos, prazenteiramente, o tempo em que trabalhava para o Passeio dos Alegres, onde recebia - muito divertido - tratos de polé do então genial Herman José! Estou certo que, seja para onde o "amigo Machado" ternha ido, certamente o melhor dos pianos o espera!
    José Abrantes

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  4. François Craenhals, o inesquecível criador do Cavaleiro Ardent! Onde andará ele agora?

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  5. Caro João, chega um momento da vida em que começamos a ver desaparecer à nossa volta amigos e parentes. Uns e outros fazem falta, e tem-se a sensação de que entrámos no comboio descendente. Mas a evocação afectiva dos que partem (para onde, ninguém sabe, mas expressão prevalece) é intensa e de alguma forma estende-os laços, laços afinal jamais rompidos. A memória salva-nos e une-nos. Desculpa ter estado ausente ontem, mas não tive maneira. Um abraço, Vasco Rosa

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  6. Caros senhores,

    para quem não teve o privilégio (que eu felizmente tive ao longo dos últimos seis anos) de lidar de perto com este Senhor, fique então a saber que homens destes já acabaram. Um dos melhores exemplos de amizade fraterna de um "avôzinho" que já não tenho, um dos melhores exemplos de postura musical, um dos melhores exemplos de humildade e de dignidade, um dos melhores exemplos de altruísmo e decência... O melhor exemplo de homem que encontrei no mundo da música (sem demagogia e com uma sincera tristeza de não o ter fisicamente connosco).

    Um grande e forte abraço deste discípulo, admirador e amigo.

    Carlos Leitão

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