Em conversa com amigos, comentávamos há dias a nossa infância. Foi "o tempo dos grandes”. Éramos os pequenos com o estatuto que isso implicava. Quantas vezes esperávamos em vão que aquele pedaço de bife ou doce chegasse “vivo” à nossa vez de nos servir. Eu sei que éramos muitos. Que aguardávamos com deferência e secreta ansiedade um pedacito do chocolate que um tio trouxera da Bélgica! O nosso lugar na hierarquia dos privilégios era claro. Os crescidos estavam deveras em primeiro em todos os protocolos. “Se bem me lembro”… na TV só havia 15 minutos de desenhos animados por dia. E vivó velho!Hoje, cá em casa, não é nada assim com os nossos principezinhos. Com a minha maturidade chegou o "tempo dos pequenos"… que são muito exigentes, diga-se. Têm sempre lugar de honra na sala e no carro até se sentam em tronos! Que nunca lhes falte o melhor pedaço! Ou o iogurte, que vamos comprar à última da hora ao fim da tarde depois de um dia de trabalho. E a última banana do cesto da fruta não será para mim de certeza - nem que seja pelo exemplo que tenho a dar…
Foi então que nos pusemos a pensar: quando será o nosso tempo... de gozar a nossa vez?!
que não são assim tão essenciais.E é verdade que os fihos são colocados num pedestal a que não tinham direito. Isso tem consequências para o bem e para o mal. Para o bem no sentido em que as crianças saem menos inibidas, menos cabisbaixas, com melhor auto-estima. Más, no sentido em que as crianças tornam-se donas do mundo, não conhecem a humildade e possuem egos como nunca vi.
ReplyDeleteA educação requer equilíbrios difíceis.
Não posso estar mais de acordo consigo, Isabela. Sobretudo quando diz que hoje "as crianças vivem menos, não podem tocar nos animais, não podem sentar-se no chão nem levar nada à boca". Criamos autênticas flores de estufa, bem longe de estarem preparadas para a vida...
ReplyDeleteObrigado Isabela e Pedro pelos v. comentários! Acrescento ainda uma tendência para a intolerância dos nossos miúdos a lidar com a frustração... No ocidente, há muito que vivemos tempos de opulência... com muita saúde, bens de consumo e entretenimento a mais, com valores centrados no "ter" e não no "ser"! É capaz de vir a dar bota. Digo eu!
ReplyDeleteBananas? Há duas mais acima!
ReplyDeleteO Anonymous está a ver mal: São três e pertencem ao Alberto João.
ReplyDeleteEstamos a falar das "nossas" crianças, das amadas, protegidas (demais) a quem damos tudo...o que precisam, o que não precisam e até, num desejo enorme de compensar sabe Deus o quê, o que as prejudica... fisicamente e psicologicamente...Criança que tem tudo o que pede e a quem nada é pedido não está preparada para ser feliz. Só ternura ... o mimo e atenção devem ser dados sem medida...
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